Jornalista maranhense é finalista de concurso nacional de fotografia  

O jornalista e fotógrafo, Mikaell Carvalho, registrou a festa da ‘Menina-Moça’, tradicionalmente conhecido como ‘Festa do Moqueado’ e sua fotografia está entre as finalistas

CIDADES Mikaell Carvalho Jornalista maranhense é finalista de concurso nacional de fotografia  
Daniela Souza

Daniela Souza
13/12/2018 15:32 atualizado em 13/12/2018 17:21

Bastou uma câmera na mão e a ida a aldeia Piçarra Preta, da terra Indígena Rio Pindaré, os Guajajaras, para registrar um dos momentos mais significativos da primeira menstruação de uma indígena, algo carregado de simbologias para os Guajajaras. Foi assim que o jornalista e fotógrafo, Mikaell Carvalho, registrou a festa da ‘Menina-Moça’, tradicionalmente conhecido como ‘Festa do Moqueado’. 

O ritual ocorreu de 21 a 23 de setembro e é feito quando as/os jovens entram na puberdade (pois os meninos também participam). A foto em particular, finalista do concurso, foi feita no dia 22. “A imagem retrata uma tia atrás de sua sobrinha que está passando pelo ritual; foi um momento onde a jovem indígena contemplava as palavras ditas por um dos pajés, bem rápido, tive a sorte de estar atento”, relata o fotografo que ficou encantado com a cena ao revisar as imagens.  

Segundo ele, o ritual é todo é bem simbólico e cheio de energia. Explica ainda como é o processo para os guajajaras já que incluem os adolescentes do sexo masculino e feminino. 

“Iniciou na noite da sexta-feira com um ensaio de cantoria, os jovens que passam pelo ritual só aparecem no segundo dia bem cedo, onde tem os corpos pintados com Jenipapo. Ao decorrer do dia os familiares vão acrescentando objetos aos jovens como colares, cocá, saias, lança, entre outros elementos que representam a cultura da aldeia. A festa dura até domingo às 9h”.  

O jornalista declara ainda que esta foi a primeira vez em que esteve numa aldeia e a primeira vez que acompanhou o ritual. “Estava encantado com tudo na minha frente, tinha momentos que eu entrava em transe com as músicas e com o ritual e esquecia de fotografar. Foi uma experiência enriquecedora, espiritualmente falando”. 

A participação de Carvalho no ritual rendeu frutos e agora, a imagem descrita por ele nesta entrevista, concorre ao prêmio “2018 com todos os direitos”, da Organização Não Governamental (ONG) Fundo Brasil de Direitos Humanos, de renome nacional.  

Seleção da imagem 

Cada fotógrafo podia selecionar até cinco fotografias, com relação ao trabalho e as temáticas sobre direitos humanos. “Eu enviei quatro fotografias e para cada uma tinha que fazer uma breve descrição, indicando onde foi feita, quando e o quê representa”, relembra.  

Todo o processo de inscrição era pela internet e a escolha das fotografias foram realizadas em duas etapas. “Na primeira fase, as dez melhores imagens foram escolhidas por um grupo de profissionais da fotografia, convidados pelo Fundo Brasil. A segunda está acontecendo ainda: as dez fotografias selecionadas estão sendo submetidas a uma votação popular, por meio do Facebook. Vence a imagem mais votada”.  

As inscrições ocorreram de forma gratuita no período de 4 de setembro a 31 de outubro pela internet.  O fotógrafo pede a colaboração dos internaltas, colegas e amigos, conterrâneos ou não, para participar da votação que permanece aberta até às 12h desta sexta-feira, 14, (horário de Brasília).  

“Peço que as pessoas votem na minha fotografia, avaliem e comentem. É uma foto para mim bem sensível, creio que todos e todas perceberam ao ver. Torço para que  figure entre as primeiras colocadas e gostaria de contar com a força de cada um que ler esta matéria, para ir na página do Fundo Brasil de Direito Humanos  e curtir a foto. Com seu voto/curtida e assim ganhar o concurso" concluiu.

Mikaell Carvalho é natural e reside em Açailândia. O jornalista é único maranhense finalista do concurso. Além de fotógrafo, também é ator e brincante da junina Matutos do Rei. 

Sobre o concurso  

O concurso tem por objetivo incentivar o uso de imagens para mostrar a importância dos direitos humanos para todas e todos. De acordo com a Fundação, o concurso é destinado exclusivamente a organizações, grupos e coletivos apoiados pelo Fundo Brasil ao longo de seus 11 anos de existência. Assim, pretendem fortalecer as capacidades de comunicação dos apoiados e apoiadas.  

“Agradeço a ONG Justiça nos Trilhos por me oportunizar momentos de trabalhos como esse, que nos mantém próximos as pessoas, suas culturas e nos ajudam a evoluir como ser humano", finaliza.

Conheça o Fundo Brasil de Direitos Humanos

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