Polícia POLÍCIA

PM suspeito de assassinar médico em Imperatriz realiza novo exame de corpo de delito

Em novo depoimento nesta sexta-feira (30), Adonias Sadda voltou a reafirmar à Polícia Civil que o tiro disparado contra o médico Bruno Calaça, de 24 anos, foi acidental.

31/07/2021 09h15
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Por: Hyana Reis Fonte: G1 MA
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O soldado da Polícia Militar (PM) Adonias Sadda, suspeito de assassinar a tiro o médico Bruno Calaça Barbosa em Imperatriz, passou por um novo exame de corpo de delito nesta sexta-feira (30). Ele está preso desde a tarde de terça-feira (27).

O exame foi realizado após o PM apresentar uma lesão que seria decorrente de uma suposta agressão, feita pela vítima contra o soldado, momentos antes do disparo. Em novo depoimento à polícia nesta sexta, o PM voltou a afirmar que o tiro dado contra o médico Bruno Calaça foi acidental.

"Nesse segundo interrogatório ele apresentou uma lesão e essa lesão se apresentou como uma possível decorrente de ação da vítima, no momento em que se antecedeu o disparo, justificando um suposto disparo acidental", explicou Praxísteles Martins, delegado que investiga o caso.

A conclusão do inquérito ainda depende de novos depoimentos e até o momento, dez pessoas já prestaram esclarecimentos. Dentre eles, o irmão de Bruno, Willian Calaça, que contesta a versão apresentada pelo PM.

"Não tem lógica ser acidental. O rapaz já se dirige ao meu irmão com uma arma sacada e qual o objetivo dele já ir com a arma pra cima do meu irmão? Se ele não tinha feito nada", disse Willian.

Outras duas pessoas, que aparecem nas imagens do momento do crime ao lado da vítima, ainda não foram ouvidas. Segundo a polícia, isso acontece, porque ambas não foram localizadas.

A polícia afirma que diante das evidências, outras três pessoas também estão sendo investigadas. Os detalhes sobre a motivação do crime só poderão ser esclarecidos após o fim das investigações.

PM diz que tiro foi acidental

Em um primeiro depoimento, o soldado da PM, Adonias Sadda, afirmou que o tiro disparado contra a vítima havia sido acidental. Segundo o suspeito, Bruno Calaça teria tentado desamar ele com um chute quando, acidentalmente, o PM apertou o gatilho.

De acordo com o delegado Praxísteles Martins, o soldado afirmou ainda, que foi ao local da festa para tentar desamar uma pessoa. O suspeito alega que Bruno se envolveu em uma confusão com uma terceira pessoa e ao segurar a arma, ela ficou pendurada e, acidentalmente, o soldado atirou contra o médico.

O delegado afirmou que a versão está sendo contestada pelos investigadores que analisaram as imagens da câmera de segurança que registraram o crime. Segundo o delegado, pelas imagens, o médico teria tentado chutar uma terceira pessoa e não o soldado.

"Uma vez que a análise do vídeo feita pelos investigadores, se constata um lapso temporal entre o chute que seria em direção a uma terceira pessoa e o próprio disparo. Há uma distância, um lapso temporal, que na opinião leiga, não seria condizente com um disparo acidental", afirmou.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o médico Bruno Calaça Barbosa, de 24 anos, foi baleado e morto na madrugada de segunda-feira (24), em Imperatriz (veja o vídeo acima). Nas imagens, a vítima aparece sentada em um palco conversando com algumas pessoas, quando é surpreendido pelo soldado Adonias Sadda, suspeito do crime.

Em seguida, eles discutem, trocam empurrões e um disparo é efetuado. As pessoas que estavam no local da festa, se assustam e afastam-se. De pé, Bruno Calaça ainda chega a trocar algumas palavras com o suspeito e, logo em seguida, cai no chão.

O velório de Bruno Calaça Barbosa foi realizado na manhã de terça-feira no salão de uma funerária, em Porto Nacional. O sepultamento ocorreu às 14h no cemitério São Pedro, no mesmo município.

Recém-formado

Bruno Calaça, de 24 anos, foi baleado durante uma festa em Imperatriz na madrugada desta segunda-feira (26) — Foto: Arquivo pessoal

Bruno Calaça Barbosa, de 24 anos, estava recém-formado do curso de medicina. Ele fez faculdade em uma instituição privada, localizada em Porto Nacional, a 66 km de Palmas, capital do Tocantins.

Nas redes sociais, os irmãos de Bruno, que também fazem faculdade de medicina no Tocantins, lamentaram a morte e contaram o quanto ele estava feliz com a formatura, há cerca de 10 dias.

"Você estava tão feliz com a sua formatura, quem te via, sentia sua felicidade, transbordar", escreveu Caio Calaça, em postagem no Instagram.

A Associação dos Estudantes de Medicina do Tocantins emitiu nota de pesar sobre a morte e destacou as qualidades do estudante recém-formado.

"Bruno era incrivelmente inteligente, era amigo de tantos, era irmão e filho. Um rapaz carinhoso que nunca brigava. Estava sentado antes de ser atingido no peito, por um disparo efetuado por um profissional militar que, aparentemente, não estava em serviço oficial. [...] Estava comemorando a sua formatura, empolgado com o futuro que tinha pela frente".

O Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC), onde Bruno estudou também lamentou a morte. "Neste momento, nos unimos em oração à sua família e amigos para que essa perda possa ser compreendida com a esperança do conforto de Deus".