Estado ESTADO

Cerca de 130 casos de leishmaniose são registrados em 2021 no Maranhão

Segundo a SES, no ano de 2020, foram registrados 344 casos, em 2019 foram registrados 396 casos e em 2018 foram registrados 683 casos da doença

10/08/2021 11h57
42
Por: Hyana Reis Fonte: G1 MA
Foto: Reprodução/TV Integração
Foto: Reprodução/TV Integração

O Maranhão é considerado um estado endêmico. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em mais de 80% dos municípios há transmissão da leishmaniose. Este ano, já foram diagnosticados cerca de 130 casos no estado. No ano de 2020, foram registrados 344 casos, em 2019 foram registrados 396 casos e em 2018 foram registrados 683 casos da doença.

A leishmaniose é causada por 20 espécies de leishmania, que é um protozoário, e a doença é transmitida pela picada de várias espécies de insetos. Existem dois tipos de leishmaniose: a cutânea, que se manifesta na pele, e a visceral, mais conhecida como calazar, que afeta órgãos internos. A doença, que não é contagiosa, causa febre, perda de peso, fraqueza muscular e anemia.

De acordo com a coordenadora do programa de combate à leishmaniose, Monique Maia, a maioria da população não faz o tratamento adequado no início. Ela acrescenta que se a doença não for tratada, pode evoluir para a morte em mais de 90% dos casos.

“Nunca foi tão importante que o serviço de saúde consiga diagnosticar esse paciente precocemente e tratar esse caso oportunamente. Os próprios pacientes eles demoram a buscar o serviço de saúde. Então normalmente esses pacientes vão chegar mais agravados, vão chegar com algum sinal, com sintomas de gravidade. Então, esse profissional ele precisa está sensível para diagnosticar esse paciente com a doença”, explicou Monique Maia.

O veterinário Renan Nascimento Moraes lembra que os animais acabam sendo os principais hospedeiros da doença. Ele diz que o número de casos aumentou nos consultórios e que apenas sacrificar o animal não resolve.

“Hoje atualmente é no caso de 30, 50 casos por semana nas clínicas e hospitais que atendem em São Luís. Então, a evolução do calazar é imensa. O que está faltando são políticas públicas. Não é o cão que transmite. Fazer eutanásia animal é muito fácil. Os animais estão aparente, mas os animais são vítimas”, revelou o veterinário.

A Semana Nacional de Combate e Controle à Leishmaniose teve início nessa segunda-feira (9) no Maranhão. Até a sexta-feira (13) será apresentado um panorama, prevenção e tratamento da Leishmaniose, além de capacitação de profissionais das cidades de São Luís, Caxias e Timon para diagnosticar e tratar precocemente os casos.

A Semana Nacional de Combate e Controle à Leishmaniose foi instituída no ano de 2012 pela Lei Federal 12.604, celebrada anualmente na semana que inclui o dia 10 de agosto, data escolhida em homenagem ao médico sanitarista e cientista Evandro Lobo Chagas, que nasceu neste dia e realizou estudos sobre febre amarela, malária e, principalmente, sobre a leishmaniose.

A doença

A Leishmaniose Visceral (LV), popularmente conhecida por "calazar", é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por parasitas que vivem e se multiplicam no interior das células do sistema de defesa do hospedeiro. A forma de transmissão é por meio da picada do mosquito-palha ou birigui (Lutzomyia longipalpis).

A doença é caracterizada por febre de longa duração, perda de peso, astenia (perda ou diminuição da força física), adinamia (fraqueza muscular), hepatoesplenomegalia (aumento do tamanho do fígado e do baço) e anemia, dentre outras. Se não tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% dos casos.

Entre as estratégias de prevenção e controle está o uso de coleiras que liberam inseticida em cães. De acordo com o Programa de Vigilância e Controle das Leishmanioses da SES, o Ministério da Saúde financiou, em 2010, um estudo de intervenção controlado e multicêntrico com intuito de avaliar a efetividade das coleiras impregnadas com inseticida (deltametrina a 4%).

Esta pesquisa foi realizada em 14 municípios distribuídos em quatro regiões do território, e mais de 300 mil animais foram encoleirados durante o período de 2012 a 2015. O resultado do estudo demonstrou que o uso da coleira foi responsável pela redução de 50% da prevalência da doença em cães nas áreas de intervenção quando comparadas às áreas controle.