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Estudo aponta aumento de 22% nas mortes no Maranhão

Segundo o levantamento do Grupo de Modelagem Covid-19 da UFMA , houve aumento de 21,8%, o que corresponde a 7.747 mortes a mais que em 2019

04/09/2021 13h00
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Por: Hyana Reis Fonte: G1 MA
Reprodução
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Um estudo realizado pelo Grupo de Modelagem Covid-19 da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) comparou o número de mortes registradas em 2020 com os cinco anos anteriores. A pesquisa revela que o Maranhão teve quase 22% a mais de mortes durante a pandemia e os especialistas alertam que esse excesso pode ser ainda maior.

Como foi o caso da técnica de enfermagem, Antônia Santos, que perdeu a mãe e o marido para o novo coronavírus. Ela disse que o marido, um profissional da saúde, estava vacinado com as duas doses quando foi diagnosticado com a doença. “Além do meu marido, eu ainda perdi a minha sogra. Meu marido com sete dias que estava na UTI e minha sogra ela faleceu também de Covid. A gente se vê sem as pessoas que a gente ama e é muito difícil, muito difícil mesmo e foram duas perdas assim, no caso assim minha família. Nós morávamos todos juntos. Nós éramos cinco pessoas e hoje em dia eu me vejo com meus dois filhos. Graças a Deus que Deus deixou meus dois filhos”, desabafou.

O Maranhão tem apresentado variação no número diário de óbitos por Covid, mas a média permanece alta. Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Modelagem Covid-19 da UFMA mostra que o Brasil apresentou um excesso de mortes de 13,7% a mais do que é normalmente registrado em anos normais, sem pandemia.

No Maranhão, segundo o levantamento, houve aumento de 21,8%, o que corresponde a 7.747 mortes a mais que em 2019. Uma proporção bem superior à nacional e a sétima maior do ranking dos estados.

A pesquisa compara os coeficientes de mortalidade em 2020 com os cinco anos anteriores. O estudo mostra ainda que houve redução da mortalidade por outras doenças, como cardiovasculares (DCV) e respiratórias, e aumento de mortes por causas mal definidas.

Os números de 2021 são parciais, mas mostram que serão superiores aos do ano de 2020, em relação ao excesso de mortes. Isso foi provocado pela segunda e terceira onda, além das variantes que circulam no país, inclusive a Delta, que requer mais atenção. Por isso, é importante acelerar o processo de vacinação para tentar diminuir a quantidade de mortes futuras.

O epidemiologista da UFMA, Antônio Augusto Moura, destaca que apesar de outros estados voltarem a ter um aumento no caso de mortes e hospitalizações em virtude da Covid-19, no Maranhão esta situação segue estabilizada. “A gente tava tendo no Brasil uma queda sustentada, tanto do número de caso, de óbitos e também das hospitalizações. Infelizmente essa queda já se reverteu. No estado do Rio de Janeiro essa queda já foi revertida, já tá tendo novamente o aumento dos casos, das internações e já começou a aparecer também um aumento nos óbitos. Aqui no Maranhão nós passamos de queda para estabilidade por enquanto”.

A Covid devastou a família da funcionária pública Eunice Uchoa Lopes. Ela pegou a doença e ficou 20 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e após o tratamento se recuperou. Já a mãe dela faleceu em maio de 2020, com 89 anos, e o marido, um policial reformado, faleceu aos 62 anos de 2021. “Meu marido foi diagnosticado dia 27 de abril. Ficou internado e com dois dias já estava com 90%. Dia 1º foi intubado e dia sete ele faleceu. Fizeram tudo pra salvar a vida dele. Ele não conseguiu responder ao tratamento. Estamos aqui todos arrasados e com o coração vazio”, finalizou.