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Maranhão é o estado onde se têm mais filhos, diz IBGE

Estudo revelou que os pais do estado são os que mais têm filhos no Brasil, com uma média, inclusive, acima da nacional

14/09/2021 11h29
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Por: Hyana Reis Fonte: G1 MA
Reprodução
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Pela primeira vez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado de uma pesquisa que analisa os números da reprodução masculina no Brasil e o estudo revelou que os pais do estado do Maranhão são os que mais têm filhos no Brasil, com uma média, inclusive, acima da nacional.

Como é o caso do professor Francisco Athayde que foi pai aos 23 anos. A esposa dele tinha 22 na época. Muito jovens, a chegada do primeiro filho do casal foi repleta de desafios e descobertas. Uma mudança repentina na rotina da família. “No começo foi um pouco complicado porque como nós éramos muito novos e não tínhamos ainda uma estrutura econômica sólida. Eu tinha acabado de conseguir o meu primeiro emprego como professor, eu estava começando a dar aula. Então, financeiramente, as coisas ainda foram complicadas no começo”, contou.

A Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou, entre outros fatores, o comportamento reprodutivo dos homens. Ou seja, a idade que eles tinham no momento do nascimento do primeiro filho. Segundo a pesquisa, 64% dos homens com mais de 15 anos de idade já tinham sido pai pela primeira vez em 2019.

Essa foi a primeira vez que a Pesquisa Nacional de Saúde investigou o tema paternidade. O número médio de filhos tidos também foi alvo da pesquisa e varia de acordo com a região do país. Maranhão e Alagoas foram os estados que apresentaram a maior média de número de filhos: 2,2 para cada pai.

O analista de planejamento do IBGE, João Ricardo Costa Sila, diz que para a estabilidade da população, o número ideal de filhos seria 2,1. “Pra reposição, ou seja, manutenção da população, o número médio de filhos, o número mágico, ideal seria 2,1. Então, quando a gente observa por unidade da federação esses números a gente já observa que você já tem algumas poucas, como o Maranhão e Alagoas, até acima e a grande maioria abaixo”.

Para o doutor em Políticas Públicas, Saulo Pinto, a diferença de realidade entre as regiões do país, está associada a condições socioeconômicas e é preciso que o poder público invista em temáticas de educação sexual.

“Quando a gente compara Sudeste e Sul você vai ter uma diminuição relativa de homens que começam a ter filhos muito jovens e em contrapartida o que a gente vê no Norte e no Nordeste é uma explosão desses casos. Então, evidentemente que isso está ligado a condições de pobreza. Isto está diretamente associado à condições da cultura patriarcal e machista também e isso tem um componente importante de uma certa ideia de virilidade, de uma certa ideia da função social, que a paternidade ela ocupa dentro de uma cultura muito conservadora que nós temos ainda no Brasil”, explicou Saulo Pinto.

De acordo com o psicólogo Thiago Oliveira é indispensável um planejamento ao pensar em ampliar a família. “É muito importante que o homem se prepare para a paternidade, que possa planejar junto com a sua parceira como eles vão passar por esse processo e possa também se organizar para uma nova vida. Portanto, você que é homem se prepare para esse processo, se organize e curta paternidade da melhor maneira que você puder. Eu tenho certeza que o seu filho vai lhe agradecer eternamente por isso”, finalizou.