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Aumentam os conflitos em áreas quilombolas no Maranhão

Há cinco dias quilombolas estão acampados em protesto ao desmatamento e demolição de casas por grileiros no município de Matões

16/09/2021 12h13
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Por: Hyana Reis Fonte: G1 MA
Reprodução
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Os conflitos em áreas quilombolas têm aumentado nos últimos dias no município de Matões, a 464 km de São Luís. Há cinco dias quilombolas que estão acampados em protesto ao desmatamento e demolição de casas por grileiros na região. A MA-262 está interditada desde o último sábado (11).

De acordo com o líder do Movimento Quilombola do Maranhão, Givanildo Reges, afirma que os protestos dos quilombolas só acabará depois que as exigências das comunidades Tanque de Rodagem e São João forem atendidas. “Reintegração de posse da comunidade ao território. O levante ele só vai ser suspendido a partir do momento que essas exigências forem atendidas. Enquanto não forem atendidas ela vai continuar”.

Os quilombolas não querem ser identificados, pois temem as ameaças que vem sofrendo desde novembro de 2020. A cena de áreas desmatadas e casas jogadas embaixo é um retrato da violência que eles dizem ter sofrido nos últimos dias.

O conflito entre quilombolas e jagunços no município de Matões, que fica na região Leste do Maranhão, resultou na interdição de dois pontos da rodovia estadual. De um lado, uma comunidade que depois de ser atendida com a apreensão de tratores solicita a presença da Secretaria de Meio Ambiente do Estado. Do outro, jagunços também impedem o acesso à cidade.

O lavrador Silvério Nascimento revela que tem receio com o que possa acontecer com a sua família. “Não tem pra onde ir. Como é que um cara com 12 filhos vai fazer o que na cidade? Ele não tem uma casa, não tem um terreno, não tem o que dá para um filho, não pode comprar um para o filho”, desabafou.

As duas comunidades, Tanque da Rodagem e São João, somam uma média de 60 famílias. Pelo menos metade está desabrigada desde o início da invasão dos grileiros há mais de dois meses. Os moradores aguardam finalizar o processo de titulação das terras, que já tem cerca de oito anos, mas o problema é que a comunidade diz que nenhuma visita do Incra foi feita até, o momento, apesar da área já ser reconhecida como comunidade quilombola.

A superintendente de Proteção e Defesa do Direitos Humanos no Maranhão, Daniela Reis, conta que o Governo do Estado está realizando ações com o intuito de evitar novos conflitos. “É uma área que deveria ter sido regularizada pelo Incra, mas que por conta dessa depredação e paralisação das questões de regularização fundiária pelo Governo Federal ainda não foi regularizada. Então, o Governo do Estado tem trabalhado em ações de mediação e prevenção pra evitar conflitos”.

Segundo a comunidade, a área foi invadida por fazendeiros do ramo da soja que vieram do Paraná. Uma equipe da Secretaria de Igualdade Racial esteve no local. Além disso, a Pastoral da Terra, Ministério Público e Defensoria Pública também acompanham o caso.

A coordenadora da Pastoral da Terra, Leonora Reis, pontua que o avanço da fronteira agrícola é um dos fatores que colaboram com as invasões nos territórios quilombolas. “Com o avanço da fronteira agrícola, do Matopiba, as comunidades elas têm sofrido profundamente com as invasões no território, que foi o aconteceu aqui. Os empresários da soja estão avançando sobre o território das duas comunidades, dos dois quilombos”, finalizou.