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Entenda por que a cerveja vai ficar mais cara a partir deste mês

Aumento anunciado pela Ambev não foi detalhado, mas tamanho da empresa pode influenciar concorrentes a mudar de estratégia e acompanhá-la em breve

02/10/2021 10h30
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Por: Hyana Reis Fonte: G1
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O anúncio de que a Ambev aplicará um aumento no preço das cervejas neste mês de outubro causou comoção pública nesta semana, em destaque nas redes sociais.

A indústria brasileira como um todo sofre com o aumento dos preços de insumos por conta da desvalorização do real desde o ano passado. Ainda assim, a empresa reportou lucro líquido de R$ 2,93 bilhões no segundo trimestre, alta de 130,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As vendas não vão mal. Exclusivamente no segmento Cerveja Brasil — já que a Ambev vende também produtos não alcoólicos — houve crescimento orgânico de 12,7% nos volumes, para 20,2 milhões de hectolitros no trimestre e expansão de 25,8% na receita líquida, para R$ 6,4 bilhões.

Abaixo, veja alguns dos números que fazem entender a decisão de reajustar os preços.

Inflação da cerveja

A cerveja não é exclusividade quando o assunto é aumento de preços no Brasil. Mas os números não assustam tanto quanto os atuais vilões da inflação, como combustíveis, energia e alimentos.

A empresa não anunciou oficialmente de quanto será esse reajuste, mas a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que a alta seja próxima à inflação oficial do país, de até 10%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação da cerveja em 12 meses é um pouco menor que a média do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Enquanto a média geral está em 9,68% em 12 meses, a cerveja teve alta de 7,62%. Quando considerada no subtópico Alimentação fora do domicílio, é ainda menor: 5,94%.

Impacto no comerciante

A Abrasel afirma estar preocupada com o aumento de preço das cervejas porque o reajuste será repassado “imediatamente” ao consumidor. A entidade afirma que 37% dos bares e restaurantes do país ainda operam no prejuízo, o que tira a capacidade de amortecer um aumento de preço.

Estado mais numeroso, São Paulo ainda tem metade de seus bares operando no vermelho, afirma a Abrasel.

“O setor está hiper pressionado por aumento de custos na luz, no aluguel, nos alimentos, no combustível, que afeta o delivery, por exemplo. Não suporta novo aumento sem repassar para o consumidor”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.

O g1 procurou também a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), outro foco de vendas de cervejas no país, mas a entidade não tem números específicos para o setor.

Influência no mercado

O aumento de preço capitaneado pela Ambev é tão sintomático porque a empresa é — por muito — a líder de mercado. Marcas como Brahma, Antarctica, Corona, Stella Artois e muitas outras fazem parte do portfólio da empresa.

Segundo a provedora de dados de mercado Euromonitor International, a empresa ocupa mais de 60% do mercado nacional, seguida da Heineken e da Cervejaria Petrópolis. 

Mercado de cervejas no Brasil

Ainda segundo a Euromonitor International, o consumo de cerveja no Brasil vinha em marcha lenta no passado recente. Em comparativo de 2015 e 2020, o mercado vendeu apenas 0,7% a mais entre um ano e outro.

Em litros, o aumento foi de apenas 13,2 bilhões para 13,3 bilhões em cada ano.

Para os próximos cinco anos, contudo, há mais otimismo na projeção da consultoria. Espera-se que a venda suba para 14,7 bilhões de litros — ou 10% a mais.