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A vacinação de crianças no Brasil estará pronta para começar dentro de dez dias

Após uma consulta e uma audiência pública, o governo federal anunciou nessa quarta-feira (5) o cronograma Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/sete-pontos-para-entender-vacinacao-de-criancas-contra-covid/ Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

06/01/2022 15h12
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Por: Hyana Reis Fonte: Gazeta do Povo
 Foto: Ángel Medina G./EFE
Foto: Ángel Medina G./EFE

A vacinação de crianças entre 5 a 11 anos contra a Covid-19 no Brasil estará pronta para começar dentro de dez dias. Após uma consulta e uma audiência pública, o governo federal anunciou nessa quarta-feira (5) o cronograma, as negociações com o laboratório da Pfizer/Biontech e as expectativas de imunização desse público.

O Ministério da Saúde convocou uma coletiva de imprensa para explicar o calendário pediátrico, bem como todas as medidas adotadas desde que a vacinação de crianças foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 16 de dezembro, e confirmar o recuo da exigência de prescrição médica para aplicação da vacina.

Veja a seguir as principais dúvidas sobre a vacinação pediátrica no Brasil:

1) Quantas crianças serão vacinadas

A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que há 20,5 milhões de crianças entre 5 a 11 anos. É com essa estimativa que o Ministério da Saúde trabalha oficialmente. Como a vacinação completa para esse público será mediante a aplicação de duas doses, serão necessárias pelo menos 40 milhões de doses.

2) Quando começa a vacinação

O Ministério da Saúde selou junto a Pfizer, em novembro de 2021, um contrato para a compra de mais 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 a serem distribuídas em 2022. Ainda em novembro, antes da aprovação da vacinação para crianças, a previsão era de que, no primeiro trimestre, o governo recebesse 20 milhões de doses.

A Pfizer garantiu ao governo que os 20 milhões de imunizantes a serem encaminhados entre janeiro e março serão entregues em doses pediátricas, específicas para as crianças entre 5 a 11 anos. Para janeiro, contudo, a previsão é de uma entrega de 3,74 milhões de doses.

Dessas doses a serem recebidas neste mês, a previsão é de chegadas em três voos diferentes no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Cada malote vai conter em torno de 1,25 milhão de doses. A expectativa é que o primeiro chegue em 13 de janeiro.

Uma vez desembarcadas, as doses serão distribuídas aos municípios a partir de 14 de janeiro, prevê o governo. O segundo malote está previsto para chegar ao Brasil em 20 de janeiro. O terceiro, em 27 de janeiro.

A expectativa é que a vacinação das crianças comece dentro de dez dias, se não houver atraso no cronograma de entrega das vacinas.

3) Quando termina o período de vacinação e qual o intervalo entre as doses

Como a previsão é de que a Pfizer entregue 20 milhões de doses no primeiro trimestre, é provável que as crianças entre 5 e 11 anos estarão vacinadas apenas ao fim do segundo trimestre, quando o governo receberá da Pfizer outras 25 milhões de doses entre abril e junho.

Há que se observar, contudo, o intervalo entre a primeira e a segunda dose. O recomendado em bula é de 21 dias, ou seja, três semanas. Mas o governo recomendou um intervalo de oito semanas, um total de dois meses.

"Todos sabem que os estudos demonstraram que um intervalo maior do que três semanas há maior benefício", justificou a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite, em referência à maior produção de anticorpos com um intervalo mais longo entre a primeira e segunda dose.

4) Qual criança poderá se vacinar primeiro

A vacinação será feita em ordem decrescente de idade, ou seja, das crianças de 11 anos às com 5 anos. Terão preferência aquelas com comorbidade ou deficiência permanente, como está previsto em lei. Por questões jurídicas, indígenas, quilombolas e crianças que vivem com pessoas do considerado grupo de risco também terão trato prioritário.

Crianças sem comorbidades ou deficiência permanente serão imunizadas posteriormente às dos grupos prioritários, preservando o critério decrescente de idade, tal como os demais públicos. Uma vez que os municípios recebam as doses pediátricas, eles poderão dar prosseguimento à imunização.

As doses serão distribuídas de acordo com o critério populacional. Foi uma decisão tomada em conversas entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

5) Quais as recomendações do governo para a vacinação infantil

O governo recuou da exigência de prescrição médica para a aplicação da vacina, como queria o presidente Jair Bolsonaro, mas recomendou que os pais ou responsáveis busquem orientação médica antes de levarem seus filhos para os postos de vacinação. A vacina não é obrigatória e vai depender da anuência dos pais ou responsável pela criança.

"É imprescindível que os pais, mães e responsáveis por essas crianças consultem um médico antes de irem tomar essa vacina. E por que essa nossa preocupação? Porque a criança está em pleno desenvolvimento, é importante ter essa informação. Temos efeitos adversos? Temos. Embora raros, nesse público, o cuidado tem que ser sempre maior", destacou a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite.

A secretária recomenda que os pais estejam presentes durante a vacinação "manifestando sua concordância". Em caso de ausência dos pais, a imunização deverá ser autorizada em termo por escrito, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

6) O que os pais devem prestar atenção ao levar seus filhos para vacinar

Um cuidado que os pais devem ter ao levar seus filhos para vacinar é ter a segurança de que o frasco da dose a ser aplicada é o imunizante pediátrico para a faixa etária entre 5 a 11 anos. A vacina da Pfizer para adultos é envasada em frascos roxos. Já o imunizante específico para as crianças vem num frasco laranja.

Os pais podem e devem questionar o servidor do posto de saúde se a dose a ser aplicada é do frasco para crianças. Há um motivo para isso. A imunização infantil será feita pela aplicação de duas doses de 0,2 ml, o equivalente a 10 microgramas, um terço da dose administrada para a população com 12 anos ou mais. A dose infantil tem, também, menor concentração de mRNA, o componente da vacina que estimula a resposta do sistema imunológico.

7) Qual é a segurança da vacina infantil e os riscos envolvidos

Um estudo com mais de 2 mil crianças nos Estados Unidos apontou que o imunizante tem 90,7% de eficácia contra casos sintomáticos da doença. Os dados do estudo foram enviados à Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana.

Já uma recente revisão de dados levantados pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos após 8,7 milhões de doses aplicadas em crianças de 5 a 11 anos aponta que efeitos colaterais graves da vacinação da Pfizer são "raríssimos".

Segundo o relatório do CDC, das 8,7 milhões de doses aplicadas 4.249 casos de efeitos adversos foram comunicados entre 3 de novembro e 19 de dezembro de um total de 8,7 milhões de doses aplicadas nesse grupo etário, com idade média de 8 anos, informa a BBC News.