Saúde SAÚDE

Tire dúvidas sobre a vacinação infantil

A vacinação infantil já começou em muitas cidades. Segundo o Ministério da Saúde, já foram compradas pouco mais de 20 milhões de doses

17/01/2022 16h10 Atualizada há 4 meses
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Por: Hyana Reis Fonte: G1
Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério da Saúde incluiu, no dia 5 de janeiro, as crianças de 5 a 11 anos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19. A imunização das crianças com a vacina da Pfizer já havia sido autorizada em 16 de dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Veja como será a vacinação das crianças no Brasil:

1. Quando vai começar a vacinação das crianças?

A vacinação infantil já começou em muitas cidades. Dez capitais brasileiras começam a vacinar crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 nesta segunda-feira (17), entre elas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. As demais são Maceió, Goiânia, Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho. Em Cuiabá e Teresina, terá início apenas o pré-cadastro nesta segunda.

São Paulo, Rio, Curitiba e mais 7 capitais começam a vacinar crianças contra Covid nesta segunda

Outras capitais começaram a vacinação infantil no sábado (15): Salvador, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Vitória, São Luís e Aracaju. No domingo (16), a imunização de crianças teve início em Brasília e João Pessoa.

2) Quantas doses já foram compradas?

Segundo o Ministério da Saúde, já foram compradas pouco mais de 20 milhões de doses, previstas para chegar até março da seguinte forma:

  • Janeiro: 4.314.000
  • Fevereiro: 7.272.000
  • Março: 8.418.000

No primeiro trimestre (sem data): 10 milhões

O secretário-executivo Rodrigo Cruz informou que o governo deve receber mais 10 milhões de doses ainda no primeiro trimestre, totalizando 30 milhões. "Dessas 10 milhões de doses, ainda não tivemos confirmações do laboratório de qual mês elas serão alocadas. Mas há um esforço do ministério e do laboratório para que essas doses cheguem o mais rápido possível", disse. Segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 20,5 milhões de crianças nessa faixa etária.

3) Qual será a ordem de prioridade na vacinação?

Segundo a nota técnica divulgada pelo governo, a ordem de prioridade na imunização será a seguinte:

crianças de 5 a 11 anos com deficiência permanente ou com comorbidades

crianças indígenas e quilombolas

crianças que vivam em lar com pessoas com alto risco para evolução grave de Covid-19

crianças sem comorbidades, em ordem decrescente de idade: primeiro, as de 10 e 11 anos; depois, as de 8 e 9 anos; em seguida, as de 6 e 7 anos; e, por último, as crianças de 5 anos.

No entanto, estados e municípios podem decidir sobre a vacinação.

4) Será necessário receita médica para vacinar a criança?

Não. O Ministério da Saúde orienta que os pais "procurem a recomendação prévia de um médico antes da imunização" – mas não exigirá receita médica para aplicar a vacina.

A autorização por escrito só será necessária se não houver pai, mãe ou responsável presente no momento em que a criança for vacinada.

5) Qual será o intervalo entre doses?

Oito semanas (cerca de 2 meses).

6) A vacina é segura para as crianças?

Sim. Os especialistas ouvidos pela Anvisa e que falaram durante a aprovação da vacina da Pfizer para as crianças consideraram que os benefícios da vacina superam os riscos.

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"A carga da doença [Covid-19] não é desprezível. A mortalidade dessas crianças nessa faixa etária é elevada – superior a qualquer outra vacina do calendário infantil, onde nós não hesitamos em recomendar as vacinas para as crianças dessa faixa etária", frisou Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

"Só a Covid-19, nessa população em especial – crianças e adolescentes – mata mais do que todas as doenças do calendário infantil somadas, juntas, anualmente", reforçou Kfouri.

"A gente fala que só 0,4% das mortes ocorrem nos menores de 20 anos, mas 0,4% de 600 mil mortes são mais de 2.500 crianças e adolescentes que perderam a vida para a Covid. Em dois anos, esse total de mortes é maior do que todo o calendário infantil", disse o médico.

"Se somarmos todas as mortes por coqueluche, diarreia, sarampo, gripe, meningite, elas não somam 1.500 por ano. A Covid-19 é uma doença prevenível por vacina que mais mata nossas crianças”, concluiu.

A infectologista Rosana Richtmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia, lembrou que, nos Estados Unidos, já foram aplicadas mais de 5 milhões de doses da vacina em crianças de 5 a 11 anos, "com a segurança dentro do que a gente quer em relação a essa vacina", afirmou.

"São mais de 2.500 crianças e adolescentes que nós perdemos no nosso país, um grande impacto dessa doença nessa população. Eu vejo como excelente a vinda de uma vacina em termos de proteção para essas crianças", reforçou Richtmann.

O médico Luiz Vicente Ribeiro, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, lembrou, ainda, que a Covid-19 pode causar a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que pode matar.

"Nós sabemos dos riscos associados à manifestação da SIM em crianças, que representa um problema de saúde bastante relevante que também acarretou um número considerável de óbitos em nosso país", pontuou.

"Então, em relação à comparação de risco e benefício para incorporação da vacina da Pfizer de RNA mensageiro para crianças na faixa etária de 5 a 11 anos, nós consideramos que os benefícios superam, de fato, os riscos para incorporação dessa vacina no calendário das crianças", afirmou.

7) As crianças vão receber a mesma dose da vacina que os adultos?

Não. A vacina será dada em duas doses e com 21 dias de intervalo – assim como nos adultos –, mas a dosagem, a composição e a concentração da vacina pediátrica são diferentes da dos adultos.

O frasco da vacina para crianças também terá uma cor diferente daquela aplicada em adultos, para ajudar os profissionais de saúde na hora de aplicar a vacina.

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