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Vítimas falam sobre primeiras 24 horas após incêndio no Educandos

Bairro de Manaus, capital do Amazonas, teve quase 600 casas destruídas na noite de segunda-feira (17)

19/12/2018 16h20
Por: Redação
Fonte: Globo.com
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 (Foto: Rickardo Marques/G1 AM)
(Foto: Rickardo Marques/G1 AM)

Alojamentos improvisados, colchões no chão e um sentimento de solidariedade. Este é o cenário encontrado na vida de centenas de pessoas cerca de 24h após um incêndio que destruiu 600 casas na noite de segunda-feira (17) no bairro Educandos, Zona Sul de Manaus. Acolhidas em cinco abrigos espalhados pela capital, as vítimas agora contam com a sensibilidade da população manauara para seguir em frente.

Ainda não há estimativa de pessoas afetadas pelo incêndio. Dezessete pessoas chegaram a ser atendidas em hospitais de Manaus, e uma segue internada em estado grave. A prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por conta do ocorrido. ONGs e outros grupos seguem coletando doações na capital.

As vítimas dividem espaço com os poucos objetos salvos das chamas e as doações que chegam a todo momento. Valesca Nascimento, de 21 anos, foi a primeira a chegar no Hotel da Vila Olímpica. No local, ela é acompanhada pelo marido e as duas filhas, uma de cinco anos e outra com apenas 18 dias de vida.

"O acolhimento está sendo ótimo. Eu já consegui comer e me ajeitar lá no quarto. Fiz o cadastro [na Defesa Civil Municipal] e eles disseram que iam ver a casa para a gente. Agora é recomeçar do zero (sic). Já tinha tudo aí, de repente, aconteceu isso. Temos que começar de novo", relatou.

A paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Educandos, utiliza todos os espaços disponíveis para acolher os desabrigados e também as doações. O local está tomado por pilhas de roupas, calçados, alimentos, materiais de higiene e voluntários, que organizam as arrecadações e distribuem comida para as vítimas.

Uma delas é Gabriela Fernandes, de 28 anos, que convive com parte da família desde a madrugada desta terça-feira (18) em um dos quartos improvisados na paróquia.

"Estão aqui eu, meu pai, minha mãe e meus três filhos. Ainda tenho uma irmã que está em outro quarto com meu cunhado e uma sobrinha. Todo mundo morava naquela área. Aqui tem comida, estamos sendo bem tratados. Agora é só esperar a resposta da Prefeitura. Tomara que não custe muito", disse.

Ela conta que morava há um ano na região atingida pelas chamas e que algumas pessoas aproveitaram a correria do incêndio para roubar objetos de seus vizinhos.

"Não dava para voltar porque estava com minha filha no colo. Só meu pai e minha mãe que tentaram salvar alguma coisa, mas, assim mesmo, roubaram. Roubaram a televisão da minha irmã. Além de ter queimado tudo, ainda roubaram as coisas dela", comentou.

Adailton de Souza Pena, de 48 anos, é eletricista de refrigeração. Ele também está alojado em um dos quartos da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, juntamente com a filha, a nora e quatro netos. Todos moravam na mesma casa, que foi destruída pelo fogo.

"Aqui está melhor porque eles acolheram a gente e não tem como reclamar entendeu. As pessoas estão apoiando, até agora não faltou nada. E agora a gente está esperando a posição das autoridades", disse.

Voluntários

Diantes das incertezas do futuro dos moradores, centenas de pessoas em Manaus se uniram para arrecadar alimentos, roupas, calçados e demais objetos que podem recompor a vida das vítimas do incêndio. Este é o caso do servidor público Jonas Silva, de 24 anos, que coordenava o recebimento de donativos na Vila Olímpica.

"Nós já conseguimos cerca de 300 cestas [básicas], conseguimos água, fralda, bastante roupas para crianças e adultos. Aqui no hotel tem cerca de 100 leitos disponíveis para as pessoas que sofreram com o incêndio. A gente já distribuiu um caminhão baú cheio e cinco picapes distribuindo alimentos e água para as pessoas que estão no abrigo", afirmou.

Marcio Reis, de 36 anos, organiza um projeto esportivo chamado "Kimura", que envolve a prática do jiu-jitsu e o apoio à comunidade. Com apoio dos alunos do projeto, ele arrecadou diversos donativos, que foram distribuídos para os desabrigados.

"Nós do projeto já temos o nosso trabalho voluntário e de ações sociais. E elas são feitas todas as sextas-feiras. E com essa tragédia no Educandos, o grupo rapidamente se reuniu e fez uma ação para arrecadar várias coisas. Tudo isso para amenizar um pouco essa dor e tristeza que as pessoas estão passando nesse momento", finalizou.

Bairro após as chamas serem controladas pelo Corpo de Bombeiros. Foto: Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo