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Práxis Polítika

Um vale de lágrimas: o país na lama

27/01/2019 14h34
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Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

De acordo com a última participação do Presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos ele vaticinou a seguinte frase: “Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre preservação do meio ambiente e desenvolvimento econômico. Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito a aprender conosco”. Embora pudesse fazer um discurso longo para que mostrasse o seu projeto de país; no entanto, optou por um discurso curto e acanhado, dizendo pouco e sendo objeto de galhofa internacional por ser considerado despreparado para o cargo presidencial. Ainda, para coroar a sua desastrosa participação cancelou em cima da hora outras agendas, alegando, como de costume, problemas de saúde advindo da facada.

Porém, na mesma semana que chegou ao Brasil saltavam na imprensa brasileira diversas matérias associando a sua família a várias movimentações escusas, inclusive com a associação com as milícias do Rio de Janeiro. Melhor explicado, como se não bastasse os conflitos e desgastes na opinião pública advindo do caixa 2 do motorista Queiroz, ainda a sua família era confrontada por ligações espúrias e amizades suspeitas com milícias armadas cariocas, chegando a cogitar intimidade com possíveis suspeitos do caso Marielle Franco, friso ainda a serem investigadas. Porém, quem não quis pagar para ver até que ponto as milícias estão entranhadas no governo carioca, ou mesmo de Brasília, foi o deputado federal Jean Wyllys, do mesmo partido de Marielle, que preferiu desistir do seu cargo e pedir asilo político a fim de salvaguardar a sua vida.

 Embora a comoção pública do fato gerado tenha colocado em xeque os próprios limites da democracia brasileira, o Presidente vai para ambientes públicos virtuais ironizar a atitude do deputado federal, seguido pelo seu filho Carlos Bolsonaro. Tal atitude seria um absurdo completo se fosse realizado por qualquer pessoa, haja vista que se trata de garantir a sobrevida de um ser humano; piada sem graça que torna-se mais degradante justamente pelo fato de ser realizado pela lavra do Presidente da República, que tem a obrigação de garantir a segurança nacional e dos seus cidadãos. Vivemos, portanto, num momento extremamente adverso e complexo em que temos o seguinte quadro: presos políticos, assassinatos e exilado políticos.

Explicando em pormenores, temos 1) um preso político - Lula foi julgado com características singulares e sem apresentação de provas concretas; 2) um assassinato político – Marielle foi assassinado por milicianos cariocas pois denunciava a ligação espúria com a política; e, agora para fechar 3) exilados políticos – Jean Wyllys vai embora para poder sobreviver e não ter o mesmo destino funesto. Em síntese, são elementos necessários que agregam valores explicativos que não estamos dentro da ordem democrática institucional corrente, haja vista o grau de perseguição política para os grupos de oposição. Além desse quadro extremamente adverso diretamente ligado a política, o Brasil ainda é vítima de mais um crime ambiental com o desastre criminoso da Barragem da Vale, em Brumadinho/MG.

Relembrando o período da campanha eleitoral, Bolsonaro dizia que as leis ambientais eram muito rígidas e existia um excesso de burocracia para licenças ambientais. Quando foi eleito tentou cercear o IBAMA e instalou no cargo como Ministro do Meio Ambiente um gestor indiciado por improbidade administrativa, por ter favorecido setores econômicos na gestão ambiental de São Paulo. Além dos descalabros políticos escandalosamente divulgados, temos agora o drama com as vítimas da Vale; desqualificando, portanto, todo o discurso de Bolsonaro em Davos, haja vista que o Brasil não tem nada para ensinar para o mundo em preservação de meio ambiente; pelo contrário, somos uma vergonha internacional!