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Práxis Polítika

O reino encantado de Bolsonaro

20/01/2019 14h35
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Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

De acordo com o mundo do faz-de-conta existem príncipes, reis e uma corte de notáveis ao seu redor, local onde se vive através do espectro mágico e alegórico do mundo da imaginação. Nesse cenário, de certa forma, Bolsonaro conseguiu se eleger através dessa narrativa fantasiosa, haja vista que nunca participou de nenhum de debate eleitoral e nunca apresentou um projeto verossímil para o país, sua campanha girou o tempo todo para as consequências advinda de uma facada, bem como propagou inúmeras mentiras na internet, sendo a mais famosa a fábula do Kit Gay – que nunca ninguém viu, mas os seus eleitores juram que existe. Dessa forma se autoproclamou mito e que iria acabar de vez com a corrupção no país, tão arruinado em face da malversação do dinheiro público provocado pelo PT.

A narrativa fora construída com primor, para endossar o seu encantamento e vendê-lo como um produto crível para eleições cunhou para si o epiteto de mito, se autoproclamando nas redes sociais com essa figura mítica. Através dessa narrativa começou a juntar exércitos para o seu lado; para tanto deveria construir arquétipos que endossassem a sua persona, por exemplo, o defensor da moral, da boa família e dos costumes, nesse item alia-se com maestria a parcela neopentecostal da Igreja, que o acolhe com majestosa satisfação. Noutra ponta, pegou firme na segurança e no seu passado como militar, mesmo Bolsonaro tendo sido um militar mediano e ter sido aposentado como capitão reformado, ou seja, nunca chegou a um almejado cargo do alto escalão como o de general.

Assim, através de um passado pseudo glorioso e cheio de nuances complicadas, com processos disciplinar e aposentadoria compulsória, associou-se com a ala mais conservadora da igreja evangélica, dando, portanto, o lastro firme para ele mesmo crer na disputa presidencial com sucesso almejado. Nessa empreitada ele precisava de uma plataforma firme; no entanto, como não tinha projeto político sedimentava a sua imagem como um palhaço bufão em programas de televisões, falando impropérios para o segmento das mulheres feministas, indígenas, negros, quilombolas e homossexuais. A classe média ainda indecisa oscilava entre o deleite e o medo; mas, tudo muda com o aumento das suas intenções de voto nas pesquisas e o endosso da elite, que preferia ver como Presidente o Bolsonaro sem projeto do que a volta do PT.

O apoio da classe média indecisa fora endossado no último período, a partir do aval da elite, isto era o que faltava para Bolsonaro trilhar a passos cambaleantes a sua vitória para o Palácio do Planalto. Não obstante, tinha algumas fagulhas acesas no meio do caminho que ele precisava eliminar, como a campanha firme de Fernando Haddad, mas isso se tornou fácil a partir de uma facada que Bolsonaro levou e que potencializou na estratosfera a visão mítica do seu personagem, aquele que renasce como uma fênix ungida pelas forças do altíssimo. Ainda, só faltava um projeto político de nação, mas neste momento surge a figura do obscuro economista Paulo Guedes, a fim de alicerçar um modelo ultraliberal vende pátria.

Porém, como todo o faz-de-conta se evapora no ar por não ter nenhum fundo de verdade, a gestão de Bolsonaro começou a virar fumaça a partir do seu próprio DNA, quando os seus príncipes encantados começaram a ser associados a corrupção, alastrando-se para toda a sua família e assessores. Nessa fantasia que beira o devaneio coletivo, além da família ser acusada de corrupção, pesa contra a sua corte de ministros notáveis a denúncia de atividades ilícitas ou indiciamentos em casos ainda a serem investigados, beirando a quase 50% do total de ministros. Fechando a fábula, fica novamente o povo como o personagem mais triste dessa história de encantamento: o bobo da corte!