Dólar comercial R$ 5,68 0.447%
Euro R$ 6,77 -0.03%
Peso Argentino R$ 0,06 +0.36%
Bitcoin R$ 291.149,27 -1.423%
Bovespa 115.202,23 pontos +2.23%
Práxis Polítika

O mito no trono e o seu elenco de apoio: entre ministros notáveis e o povo bestializado

13/01/2019 16h54
74
Por:
Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

De acordo com a etimologia da palavra mito, este vocábulo significa algo que não se explica e que transcende a razão, vindo da compreensão clássica grega que procurava explicar certos fenômenos naturais ou políticos a partir de uma elaboração alegórica do mundo. Melhor explicando, algo que fugia da compreensão perceptível da razão humana, haja vista que buscavam explicação em algo aleatório, sobrenatural e simbólico-imagético que o mundo real não conseguia vislumbrar uma explicação razoável. Desta forma, temos a construção de mito como algo que ainda carece de um esclarecimento aceitável, portanto, sendo aceito como se fosse apenas uma das etapas do conhecimento humano, que vão desde inicialmente um conhecimento mítico, passado para um conhecimento baseado no senso comum até chegarmos a idade da razão humana com o conhecimento científico.

Em síntese, são etapas da formação do conhecimento da própria humanidade, realçamos que não invalidamos os processos anteriores que formataram e alicerçaram o momento em que vivemos atualmente, contudo, sabemos que são etapas que foram palmilhadas para formarmos o arcabouço intelectual que temos nos dias de hoje. Mais modernamente a noção de mito fora dado para figuras políticas no século XX, assim como aos artistas de Hollywood. No tocante a esses últimos foram colocados estrategicamente como figuras inatingíveis, de modo a ser vendidos como mercadoria mantendo-os a uma distância dos meros mortais, ou seja, era necessário haver esse distanciamento para que o público não visse que eram pessoas normais, mantendo, assim, essa áurea de mistério e inacessibilidade tão fomentado pela indústria fílmica.

Quanto a reelaboração mítica do político erigida no século XX, percebemos que ela fora construída com o mesmo requinte intelectual da indústria hollywoodiana, haja vista que o estadista que se alcunharam como mito se utilizaram fartamente da mídia para galgar esse posto. Tivemos nesta estirpe figuras do porte de Stalin, Mao Tse Tung, Hitler e Mussolini, todos eles indubitavelmente souberam usar a indústria fílmica a fim de cunhar uma imagem para as grandes massas, sendo que o elemento que aglutinava todas as imagens pode ser “O Grande Pai” salvador da pátria. No entanto, não devemos esquecer que mito não se explica por si, pois não basta o construírem midiaticamente para se forjarem como mito, uma vez que precisam ter um fundo de verdade mínimo para justificarem tanto apelo popular.

Nesse aspecto aproximamos esse conceito para a nossa realidade brasileira, quando Getúlio Vargas também reelaborou esse mesmo argumento simbólico erigindo-se como o “Pai dos Pobres” brasileiros, sendo que o fundo de verdade era todo o constructo elaborado da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que ele presenteou à população. Dessa maneira, o mito se alimenta do folclore popular, elaborando caraterísticas que o superlativam como o grande messias do povo e dando em troca pequenas benesses que justifiquem a alcunha de mito, fazendo com que esse elogio qualificativo perdure ao longo do seu mandato, dinastia, ditadura, etc.

Também, não devemos esquecer que para a construção de qualquer mito tem que haver uma corte de notáveis que endossam os seus desmandos, pois estes servem como lastro de sustentação, melhor dito, como cortina de fumaça quando algo do seu mandato dá errado: sempre será o ministro fracassado que será demitido, exonerado, executado - mas, nunca o mito! Justamente por isso que vemos ao lado de figuras políticas que se auto entronizam como Mito, Pai dos Pobres, Líder Supremo um elenco de apoio, que muitas vezes beira o patético. Porém, mais patético é quando o próprio o povo não consegue construir distinção entre o real e o imagético, aceitando o mito como algo verossímil e o resultado é uma tragédia: uma cegueira coletiva.