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Práxis Polítika

Tudo terminará como começou

09/12/2018 12h37
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Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

Entre as muitas obviedades do governo Temer é que ele terminará como começou: sob vaias e debaixo de escândalos! Michel Temer não foi eleito para o cargo de Presidente, pois conforme todos sabemos era o vice-Presidente de Dilma Rousseff e passou a ocupar o cargo em virtude de um golpe civil, articulado pela coalizão partidária dominante que alijou Dilma do governo. A sua importância no governo, como vice-Presidente, se dava justamente pelo peso que o seu partido (PMDB) possuía na coalizão política do finado governo petista; no entanto, preferiram retirar Dilma sob a desculpa das aludidas e mal explicadas pedaladas fiscais – nunca provadas, e colocar Michel Temer na presidência.

Após a deposição de Dilma, o Presidente empossado mudou totalmente a perspectiva política do país, assim como passou a privilegiar uma política ultraliberal de desmonte do Brasil. Desgraçadamente, o país entrou num ciclo extremamente vicioso de corrupção, de denúncia e de malversação do dinheiro público, momento este que não fora poupado nem o próprio Temer, sendo que este somente fora salvo em face da sua imunidade parlamentar e do estancamento - muito bem articulado - das investigações de corrupção, amplamente negociadas na Câmara dos Deputados. Porém, a imunidade de Michel Temer acabará em 1 de janeiro de 2019, momento em que ele deverá explicar as suas relações espúrias com o escândalo da licitação dos portos, polêmicas que envolvem em indiciamento até mesmo sua filha.

Além desses fatos desabonadores para a sua carreira, também pesará na sua conta o caos em que deixou o país, principalmente, pelo desmonte do setor público e o severo endividamento do Estado. Como saldo deletério temos novamente o Brasil no mapa da fome mundial, como se não bastasse esse fato, ainda há todo o desmoronamento dos programas sociais do período Lula e Dilma, relegando para os mais pobres a completa indigência. Também, como saldo negativo do seu governo temos o país estagnado, com milhões de desempregados, assim como há outros tantos milhões em trabalhos precários, sem direitos e sem nenhuma segurança mínima.

Devemos colocar na sua conta enquanto chefe do executivo, também, o nível extremamente baixo e desqualificado da campanha eleitoral, pois não houve nenhum controle de fake news, pouquíssimo respeito pelos eleitores e nenhuma iniciativa para que houvesse uma campanha justa com a devida responsabilização a candidatos envolvidos criminalmente com a justiça. Como resultado eleitoral tivemos uma campanha eleitoral baixíssima e totalmente despolitizada, pleito eleitoral em que quem ganhou não foi o mérito da discussão de um projeto político, mas sim a desconstrução do seu oponente através de fake news, uma vez que o candidato eleito Jair Bolsonaro não foi a nenhum debate eleitoral. Venceu, portanto, o fake news mais eficaz, ou seja, a vitória foi do candidato que melhor soube manipular a despolitização do povo brasileiro, estimulado vergonhosamente pelo governo impopular e ilegítimo de Michel Temer.

Quanto ao quadro político, devemos enfatizar que a população está totalmente divorciada deste cenário e num ato contínuo de falta de crença com a classe política. Sendo que a tendência é o aprofundamento desse fundo do poço, uma vez que a maioria dos personagens do vergonhoso governo de Michel Temer estarão materializados no próximo governo de Bolsonaro, novamente os mesmos partidos que depuseram Dilma compondo a coalizão dominante. Ainda, como se não bastasse os velhos personagens, agora surgem os novos personagens egressos da tropa de choque de Bolsonaro; porém, estes já tomarão posse respondendo a processos de corrupção: tudo começará como terminou –  numa sucessão de escândalos e corrupção!