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Práxis Polítika

Mas afinal, quem é o Paulo Guedes?

02/12/2018 18h20
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Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

Na campanha eleitoral causou constrangimentos inúmeras vezes aos eleitores mais esclarecidos o fato do Presidente eleito dizer que não sabia nada sobre economia; porém, embora fosse uma condição sine qua non esse conhecimento para a usa investidura no cargo de chefe do executivo nacional, ele não fazia questão nenhuma de esconder a sua ignorância. Ao longo das entrevistas dava evasivas e dizia que quem deveria saber de economia era economista, uma vez que a função do cargo postulado era para ser Presidente. Ainda, dizia que escolheria o seu Ministro da economia e o mesmo deveria dar os resultados esperados, caso contrário seria demitido – como se o Brasil fosse uma simples empresa.

No decurso das suas entrevistas surgiu o nome do economista Paulo Guedes, pouco conhecido academicamente, este fora um economista formado na Escola de Chicago – berço do projeto acadêmico neoliberal dos anos 70, que floresceu no período teoricamente e arruinou o Chile.  Capitaneado por Milton Friedman, como o grande mestre dessa Escola de Chicago, estes economistas possuem como norte um projeto de liberalismo econômico ao extremo, na medida em que o Estado não deve influir ou se posicionar na economia, ou seja, o capital deve ser regido e regulado por conta própria. O Chile foi o primeiro laboratório dessa teoria, aplicado com muita severidade pelo governo ditatorial do General Carrasco, Augusto Pinochet – como resultado: o desastre e a catástrofe na economia chilena.

Os economistas formados por Friedman eram chamadas de Chicago Boys, esta equipe em conjunto com Pinochet não poupou esforços para desmantelar a esfera pública chilena, principalmente, privatizando as empresas públicas estatais, reduzindo as regulamentações financeiras e abrindo as fronteiras comerciais. Assim sendo, conseguiram o “milagre” econômico de fomentar uma vultosa riqueza neste período; porém, com um preço muito caro, por exemplo, desindustrialização do Chile, aumento do desemprego, bem como todas as mazelas advinda desta política econômica que premia os grandes capitalistas em detrimento da população: explosão do número da pobreza, materializado bem visível entre os diminutos muito ricos em contraste com a grande população descapitalizada e sem o amparo do Estado.

Ocorre, por caprichos da história, que Paulo Guedes trabalhou nesta mesma equipe dos Chicago Boys chilenos como economista e, igualmente, como docente universitário com pouca projeção, tanto no Brasil quanto no Chile. Após encerrar as suas malogradas tentativas de ser professor universitário, empenhou-se para construir uma sólida carreira na iniciativa privada na gestão de fundos econômicos, empresas incorporadoras e trabalho na Bolsa de Valores. Podemos dizer que, em linhas gerais, Paulo Guedes é o gestor de um polpudo banco de investimento, em que os partícipes depositam o seu dinheiro para render juros em aplicações diversificadas gerenciadas por ele, por exemplo, em saúde, em educação, em finanças, melhor dito, num portfólio variado e com uma sedenta densidade econômica.

Paulo Guedes, com certeza, como bom investidor sabe como funciona o jogo do mercado, pois investe na baixa para ganhar na alta; assim sendo, nada mais natural que tenha aplicado o seu capital e reservas nas joias estratégicas do Estado brasileiro, que agora serão privatizadas e supervalorizadas no mercado de capital. Porém, como bom jogador sabe que terá que se desincompatibilizar enquanto pessoa física e jurídica da sua empresa para poder ser o Super Ministro da economia de Bolsonaro, atitude esta que realizará para poder tomar posse em 1 de janeiro de 2019. Mas, até esta data, já aplicou todas as suas fichas nos diversificados ramos econômicos que mais renderão lucro nos próximos 4 anos, período em que ele mesmo será o maestro das reformas políticas do Estado, haja vista que Bolsonaro não entende nada  de economia – como naquela fábula infantil: deixaram a raposa para tomar conta das galinhas!