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Práxis Polítika

Menos médico para o Brasil: que bom para o Temer

18/11/2018 19h16
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Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

Após uma campanha presidenciável extremamente atípica e sem debates de projeto governamental, com exceção de enxurradas de Fake News, o novo Presidente eleito inaugura o projeto Brasil Menos Médico, cumprindo o que prometera na campanha: fim dos médicos cubanos no Brasil. De acordo com a sua campanha que prometia o envio dos médicos cubanos de volta para a ilha comunista, Bolsonaro, antes mesmo de tomar posse, declara o seu veredito e algumas condições para o exercício médico dos cubanos no Brasil: 1) que os médicos cubanos deveriam revalidar o seu diploma; 2) que o pagamento deveria ser integral aos médicos; e, 3) oferecia asilo político aos cubanos para viver no Brasil.

Para compreendermos o trabalho dos médicos cubanos no Brasil, primeiramente, devemos interpretar como e em que condições chegaram em nosso país: 1) quanto a qualificação dos médicos cubanos são conhecidos internacionalmente, em face do trabalho eficaz que realizam na medicina preventiva, na saúde da família e na medicina coletiva. Num segundo aspectos, 2) o Brasil, como todos sabemos, possui um dos modelos mais segregacionista e elitista no trato da saúde, haja vista o grande número de médico que se concentram nos grandes centros e não possuem nenhum interesse de medicar nas brenhas do Brasil profundo.  Assim sendo, 3) com o intuito de saldar tal débito o governo Dilma estabeleceu o edital Mais Médico e contratou em torno de 10.000 médicos cubanos, espalhando-os pelo Norte e Nordeste - até mesmo em aldeias indígenas.

Obviamente que houve rusgas com médicos brasileiros, justamente por tentarem manter reserva de mercado e não querer a desvalorização monetária das suas consultas – famosa lei da oferta e da procura. Nesse quadro os médicos brasileiros rejeitaram os médicos cubanos desde a primeira recepção nos aeroportos com impropérios, xingamentos, cartazes e escárnios; porém, os médicos enxotados foram recebidos de braços abertos por uma população carente e necessitada de cuidados na saúde. Se estabeleceu, portanto, uma relação ao mesmo tempo conflituosa e afetuosa: 1) conflituosa pela corporação médica nacional e pela classe política opoente a Dilma; e, 2) afetuosa pela população local pobre, que viu nos médicos cubanos a tábua da salvação para o cuidado dos seus males.

Devemos deixar bem claro que o contorno ideológico de expulsão dos médicos cubanos por Bolsonaro é somente a ponta do iceberg, pois pesa muito, também, a chantagem da corporação médica sedenta para não ver o seu mercado fatiado por uma medicina mais popular e humanista. No tocante ao devaneio ideológico contra o governo cubano, que segundo Bolsonaro, Cuba se apossa de parte do salário dos médicos, devemos registrar que isso já estava embelecido no contrato de trabalho, pois todos os médicos selecionados através do Ministério da Saúde de Cuba já sabiam da contrapartida revertida à ilha.  Contrapartida essa que é revertida diretamente para a medicina e educação cubana, assim como retorna também para ajudar as próprias famílias dos médicos em face do bloqueio econômico dos Estados Unidos. Em tempo, nenhum médico cubano aceitou asilo político no Brasil.

Fechando a análise como explicar o endosso de Michel Temer aos arroubos de Bolsonaro antes mesmo dele assumir? A explicação é simples, pois conforme amplamente noticiado, Temer foi indiciado por corrupção e poderá ser preso tão logo deixe a presidência. Assim sendo, se bem negociado com Bolsonaro e aprovando tudo o que o novo Presidente eleito exigir, Temer poderá ainda conseguir foro privilegiado caso seja escolhido por Bolsonaro ministro ou embaixador: que bom para Michel Temer o fim do Mais Médico – não é mesmo?