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Será que voltaremos ao fascismo?

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Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

20/10/2018 19h33
Por: Redação
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Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

O fascismo é um modelo de governo altamente nacionalista e autoritário que teve grande força na Europa na primeira metade do século XX.  Podemos dizer que teve o seu primeiro apogeu na Itália, onde se estabeleceu um regime denominado de fascista após a Primeira Guerra Mundial sob o comando de Benito Mussolini, que governou a Itália de 1922 a 1943. Na mesma época, os ideais fascistas serviram de base para o surgimento de uma derivação do seu modelo na Alemanha com o nome de nazismo. Com ideias altamente contrárias ao liberalismo, marxismo e anarquismo, o fascismo é classificado como um regime de extrema-direita marcado por um governo ditatorial e extremamente militarizado.

Assim como a Alemanha, posteriormente a I Guerra Mundial, a Itália encontrava-se inserida dentro de uma grave crise de legitimidade do quadro político, igualmente, encontrava-se com grandes problemas econômicos. Neste processo emerge a figura de Benito Mussolini como um “Salvador da Pátria”, prometendo aos italianos as glórias perdidas de tempos passados. Mussolini era um ex-militar que lutara na I Guerra Mundial, após a guerra iniciou uma carreira jornalística e política vindo a comandar a construção do Partido Fascista Italiano. Após um período de grandes perturbações políticas e sociais, durante o qual alcançou grande popularidade, guindou-se a chefe do partido. Passou a usar as suas milícias para instigar o terror visando combater abertamente os socialistas e conseguiu que os poderes investidos o nomeassem para formar governo, consequentemente, com poderes absolutos.

Através das suas milícias paramilitares, denominadas de camisas negras, construiu um Estado de terror e medo e, logo após a sua subida ao poder, iniciou uma campanha de fanatização que culminaria com o aumento do seu poder e a interdição dos restantes partidos políticos e sindicatos: o Estado italiano encerrava-se no culto da sua pessoa. Através desse poder político magnânimo, Mussolini juntou-se a Adolf Hitler com vista a combater o comunismo e iniciar a invasão de outras nações iniciando a Segunda Guerra Mundial. O Saldo cruel da sanha militarista e imperialista, bem como da  junção do fascismo com nazismo foi uma das páginas mais cruéis da história da humanidade, haja vista o grande número de mortos com esse grande conflito bélico.

Embora a história tenha julgado os crimes do fascismo e condenado o seu perfil de governo como uma degeneração do processo político, precisamos reiteradamente pautar as caraterísticas que convergem para caracterizar um governo com contornos fascistas, seriam as seguintes:  1. Valoriza o nacionalismo; 2. Totalitarismo e Corporativismo; 3. Ênfase no militarismo; 4. Obsessão com a segurança nacional; 5. Desprezo pelos direitos humanos; 6. Desprezo por intelectuais e artistas; 7. Controle da mídia e censura; 8. Usa a religião como forma de manipulação. Obviamente que nem todos os governos fascistas são compostos por todos esses itens; contudo, há o realce de um elemento mais preponderante: o militarismo.

Não obstante todas as mazelas impostas durante o período fascista, assim como todos os sofrimentos causados por um modelo de governo que implicou na opressão e na segregação dos seus oponentes, infelizmente vimos o crescimento de partidos e políticos com perfis fascistas pelo mundo todo. Causa espanto mais grave ainda a associação espúria de segmentos religiosos tido como cristão com facções políticas que despertam o ódio e a violência. Porém, por mais esdrúxulas que possam ser essa degeneração da política ela vem ganhando espaço de forma assustadora, como uma volta às trevas da humanidade: que tristes lembranças!