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Práxis Polítika

O Resultado do antipetismo!

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Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

08/10/2018 02h50
Por: Redação
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Reprodução (Foto: Internet)
Reprodução (Foto: Internet)

As eleições de 2018 mudaram a configuração política do país, pois novos personagens emergiram no cenário político, assim como outros foram severamente sepultados. Podemos considerar que esta eleição se direcionou sobre uma bandeira de luta unívoca, melhor dizendo, uma bandeira que tentou soterrar a existência do PT, sendo, portanto, o partido mais fragilizado destas eleições brasileiras. De outrora partido que se cacifou politicamente elegendo 4 Presidentes sucessivamente (Lula e Dilma); tornou-se, neste pleito, o partido que todos os oponentes gostariam de liquidar, conforme podemos ver claramente nos resultados alcançados no cenário presidencial.

Asseveramos, de acordo com as séries históricas, que isto é um perfil muito recorrente na história do Brasil, haja vista que na política, via de regra, há a maturação de um partido e, posteriormente, a sua destruição nos pleitos seguintes pelos seus oponentes. Neste modelo, tivemos o período do populismo com o PTB de Vargas, momento este que todos os partidos que se encontravam excluídos da máquina pública do Estado tentavam de todas as formas criar rusgas com o PTB, a fim de colocar em xeque o enlace do petebismo junto aos eleitores. Criou-se, neste cenário, o clássico antipetebismo dos anos 50 e início dos anos 60, fragilizando todas as tentativas de construções políticas erigidas por seus líderes, tanto as realizadas por Getúlio Vargas quanto por seus sucedâneos.

O resultado de todo esse processo conflitivo foi severamente sentido pela classe trabalhadora, pois na medida em que a elite oponente visava destruir as conquistas do PTB, ajudou também na destruição da democracia, igualmente soterrou as conquistas dos trabalhadores, dando, por conseguinte, o instrumento necessário para o fomento da ditadura militar em 1964. Com esse resultado dramático, a ditadura militar tomou conta do Brasil, dando fim a toda vida política brasileira e esfacelando com todas as formas de participações políticas. Com o petebismo destruído pela ditadura, foi necessário fomentar o movimento operário através da emergência de novos movimentos sociais, surgidos na esteira das lutas do final dos anos 70, juntamente com a construção do Partido dos Trabalhadores (PT).

Novamente, a partir da Nova República, uma nova série histórica se esboçou com o protagonismo do PT junto a classe operária, objetivando a reedição de um projeto político que visava um novo pacto social, a exemplo do que ocorrera nos anos anteriores com o PTB. Porém, conforme amplamente divulgado, ocorreu sucessivos erros nos governos petista (2003-2015), dando, por conseguinte, munição midiática e legal para tentarem soterrar todas as conquistas políticas implementadas pelo PT. Como saldo de todo esse processo de desacertos ocorreu o impeachment presidencial de Dilma Rousseff: o jeito petista de governar foi erodido e edificaram no seu lugar a moralidade como ordenamento político vigente.

Desta forma, chegamos neste momento eleitoral onde o Brasil preferiu votar na plataforma da moralidade; não visando, portanto, eleger um presidente que buscasse construir uma alternativa para a crise política brasileira. Ou seja, neste cenário o eleitor não objetivou eleger um presidente que buscasse construir um novo Brasil: forte, soberano e justo. Pelo contrário, visou apenas eleger um Presidente que limpasse o outrora jeito petista de governar. Assim, o PT ficou em segundo lugar nos resultados dos votos no 1º turno e cacifou a figura do militar Jair Bolsonaro como o arauto da moralidade brasileira, através de um reiterado discurso antipetista.