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A que ponto chegamos!

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Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

29/09/2018 13h57
Por: Redação
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Internet (Foto: Reprodução)
Internet (Foto: Reprodução)

Estamos numa encruzilhada na democracia brasileira, num momento em que precisamos decidir que rumo devemos tomar, melhor dito, quais as escolhas devemos tomar para o caminho que o Brasil seguirá rumo a sua emancipação soberana. No entanto, mais uma vez estamos trilhando o rumo do conflito polarizado, sendo este ativado muito mais por parcelas do eleitorado e insuflado inconsequentemente por alguns candidatos. A outrora polarização democrática, legítima e legal que tensionava entre PT versus PSDB se modificou; nesse momento agora a tensão se processa, por um lado, entre os apoiadores de Jair Bolsonaro e, por outro lado, entre os militantes do campo progressista que gravitam em torno da sigla petista.

Se alguns analistas políticos acreditavam que a polarização que perdurou entre os anos 90 e 2000 eram muito restritivas, haja vista que reduzia a escolha de projeto político somente em duas plataformas, ou seja, entre o neoliberalismo do PSDB ou entre o nacional desenvolvimentismo do PT. Porém, nesta atual quadra política a discussão não se dá entre concepções e projetos para o Brasil, pois o que se revela existir são dois discursos bem antagônicos, entre o antipetismo ou entre o anti-Bolsonarismo. Porém, todos os dois campos possuem camadas de resistências muito profundas, com rejeição efetiva para essas duas candidaturas, tornando, principalmente, a campanha de Bolsonaro quase impossível para a sua vitória eleitoral num eventual segundo turno.

No tocante as raízes do antipetismo estas são frondosas e já amplamente conhecidas, pois são as mesmas que sepultaram o projeto Lulista e Dilmista. Especificamente quanto a Dilma Rousseff, conforme amplamente revelado, não foi provado nada contra a ex-Presidenta, uma vez que ela está cotadíssima como candidata ao senado por Minas Gerais, prova irrefutável que ela possui Ficha Limpa e o seu impeachment foi claramente apenas um golpe político de direita. Quanto a Lula, continua encarcerado e sem provas concretas da posse de um aludido apartamento, sendo clamado pela opinião pública internacional e pela ONU como um preso político. Em síntese, de todos os percalços sofridos por essas duas lideranças petista ficou o rescaldo de uma forte campanha midiática anti-PT dando, assim, todos os elementos da atual conjuntura política contra o Partido dos Trabalhadores.

Porém, em relação ao deputado Jair Bolsonaro, que visa a vaga para a presidência da República, ele é vítima apenas da sua própria boca, haja vista todos os impropérios que ele falou contra as mulheres, negros, homossexuais, indígenas e quilombolas. Assim sendo, conforme ele mesmo expressou que não precisava e não apoiava essas ditas minorias; agora, porém, possui a maior rejeição política deste pleito e correndo, portanto, o risco de não conseguir se eleger justamente pelas grosserias que proferiu.  Além das debilidades que expressou contra minorias, ainda oblitera a sua campanha o apoio e a propaganda que fez a favor da ditadura militar e dos torturadores, situação gravíssima uma vez que a tortura é um crime de lesa-humanidade sendo criminalizada internacionalmente.

Finalizando, nos deparamos abismado a que ponto o Brasil chegou e em quais limites derrapa esta democracia brasileira tão fragilizada, desde o Golpe Civil de 2016. O saldo negativo de todo esse processo é a população brasileira tão dividida, que infelizmente fica comprando o discurso de alguns candidatos de modo extremamente agressivo e sem refletir que a violência é justamente a negação da política. Assim sendo, pensamos coletivamente nesta situação que chegamos, quando temos que justificar que o melhor instrumento para o bom uso político deveria ser a educação e não a violência.