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Práxis Polítika

O eterno processo de reconstrução nacional.

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Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

23/09/2018 18h57
Por: Redação
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sem fonte (Foto: Reprodução)
sem fonte (Foto: Reprodução)

 

No Brasil, a partir do final dos anos 40 até as vésperas do Golpe Civil-militar de 1964, fora denominado de período populista, momento este que Getúlio Vargas representou o “Ser Político” com maestria, pois galvaniza para a sua pessoa a política, a administração e a popularidade do Estado. Para uma massa de população que provinha do universo agrário, egressa do velho patriarcado, e que chegava ao universo urbano, em vias de industrialização, Vargas representava o elo entre o passado e o presente, pois era o pai que dava aos pobres os direitos trabalhistas através da Carteira de Trabalho. Enfim, com Vargas a classe operária chegara finalmente ao seu status de cidadania plena com direitos sociais, políticos e civis de maneira equânime.           

Podemos dizer que a década de 50 foi o período de ouro desse populismo à brasileira e Vargas a sua expressão máxima, na figura do líder político que adensava os anseios da população e que conseguia fazer um pacto político com a elite. Melhor explicando, através dos seus malabarismos políticos conseguia gestar os anseios do proletário a fim que não entrasse em choque sistémico com a elite, obviamente, que havia um grande custo político e Vargas pagou um preço caríssimo. Conforme sabemos, mesmo que houvesse um pacto visando uma conciliação de classe através do modelo populista varguista; por outro lado, a elite política que não compunha e não concordavam com esse pacto buscavam fragilizar o seu governo pressionando-o diuturnamente: Vargas se suicidou em 1954.

Com a morte de Vargas o pacto social que buscava um governo de conciliação de classes, capitaneado pelo PTB varguista, entraria em choque com as forças de oposição; erigidas, principalmente, pelas forças políticas opositoras nas grandes cidades que contrariavam o modelo populista. Ainda nos 50, emerge a figura de Juscelino Kubitschek como Presidente da república e por um partido oponente ao PTB; posteriormente, Jânio Quadros elege-se Presidente por um partido inexpressivo e se dizendo o ordenador da moral brasileira. Finalmente, João Goulart chegava a presidência em 1961, este era herdeiro direto do PTB e tentou a seu modo reerguer o pacto social populista, porém fracassando com o Golpe de 1964.

No tocante ao período populista e ao pacto de conciliação de classe, devemos realçar que em seu bojo político e econômico, também, versava num desenvolvimento autônomo e de independência nacional. Nessa perspectiva almejava uma união entre a elite nacional desenvolvimentista e o Estado, visando assim estabelecer um laço frondoso de desenvolvimento nacional e construção de uma nação soberanamente desenvolvida. Esse pacto não vicejou, pois somente perdurou até os limites dos interesses da elite nacional; uma vez que essa elite, na medida que esta começou a trilhar parcerias com o mercado externo, deu as costas à política nacional desenvolvimentista e relegou a classe operária a sua exploração permanente.

Tivemos outros processos de tentativa de reedificação nacional, como no pós-ditadura civil-militar, assim como outro processo de repactuação de classe, como no período Lulista, também chamado de Neopopulismo. Porém, o que fica explicito nesse processo é a eterna tentativa de reconstrução nacional e os aludidos simbolismos de reconciliação através de um pacto de classes nunca frutificado. Nesse momento, a elite política depois de destruir economicamente o país no Pós-Golpe de 2016, mais uma vez injeta através de uma campanha eleitoral sui generis a visão edílica de uma busca eterna pela reconciliação, pela repactuação de classes e pela reconstrução nacional –  pobre povo brasileiro!