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O novo impulso da fraca corrida presidencial.

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Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

16/09/2018 12h48
Por: Redação
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sem fonte (Foto: sem fonte)
sem fonte (Foto: sem fonte)

Faltando poucos dias para a eleição de outubro vivemos uma campanha que ainda não esquentou as turbinas, em face de uma corrida presidencial extremamente morna, talvez pelo fato que a grande estrela eleitoral desde 1989 esteja encarcerado. Finalmente, só no dia 11 de setembro o PT anunciou e formalizou a sucessão do candidato presidenciável no lugar de Luís Inácio Lula da Silva, passando o bastão para Fernando Haddad, cabendo, portanto, pouco tempo para o PT correr atrás dos votos de Lula visando uma transferência milagrosa em prazo hábil. Não obstante o tempo curto, mesmo assim parece que a estratégia lulista está surtindo efeito esperado, pois Haddad já dispara empatando com Ciro Gomes num segundo lugar nas recentes pesquisas eleitorais.

Temos os seguintes resultados neste cenário atual, segundo Datafolha: 1) Bolsonaro com o primeiro lugar perfazendo 26 % de intenção, ou seja, como resultado direto das imagens pós atentado. 2) Em segundo lugar temos empatados tecnicamente, em face da oscilação de pontos percentuais, Ciro Gomes com 13%; Fernando Haddad com 13%; e, Geraldo Alkmin com 9%. Realço que este ponto de empate técnico deve-se às oscilações percentuais de erros amostrais de 2%, para mais ou para menos, portanto, podendo inclusive estar todos empatados com 11%. Nesse espectro, por conseguinte, podemos inferir que para o segundo turno já se encontraria garantido a vaga de Bolsonaro, cabendo a disputa do segundo nome entre um desses três candidatos.

Analisando mais detidamente as possibilidades deste segundo candidato que comporia o segundo turno das eleições para disputar com Bolsonaro, temos as seguintes considerações: 1) Alkmin não vem ascendendo nas pesquisas; pelo contrário, uma vez que vem perdendo a sua força e não tendo mais energia para decolar com vista a chegar num segundo turno. Assim sendo, parece que a grande disputa se daria entre 2) Ciro Gomes e Haddad, num embate que, com certeza, haveria uma disputa belicosa, principalmente, pelo fato que Ciro não pode perder a posição já alcançada. Noutra raia, corre a passos céleres Fernando Haddad, herdando frondosamente a migração e a transferência de voto do líder populista petista.

Essa disputa entre Ciro e Haddad parece ser o elemento que dará o clímax e o tônus para aquecer o fraco primeiro turno, uma vez que Bolsonaro está de molho no hospital colhendo os frutos de um atentado que só lhe fez bem politicamente. Porém, espera-se que a disputa para o segundo turno se dê através de projetos políticos e proposta, não podendo nesse momento Ciro Gomes falar mal de Lula e do PT, pois esse candidato fora ministro da administração lulista e até pouco tempo visava uma unidade de força com este campo político. Quanto ao Haddad, agora que Bolsonaro está fora dos debates, será o alvo principal, haja vista que os outros candidatos irão procurar golpeá-lo acusando que ele é somente a sombra do Lula, e pior, que ele representaria um partido encarcerado.

Já, no cenário de um segundo turno, Bolsonaro perde fragorosamente para Ciro Gomes; porém, na disputa com Haddad há um apertado empate técnico. Para tentar resolver esse enigma, caso ocorra uma disputa entre Bolsonaro e Haddad, analisamos a rejeição entre os candidatos: 1) Bolsonaro tem 44% de rejeição, enquanto 2) Haddad possui 26%. Ou seja, a resposta das urnas ainda está inconclusa, mas talvez pelo grau de rejeição podemos inferir que uma possível vitória de Bolsonaro é quase impossível, principalmente, pela oposição intransigente do grupo que ele mais atacou e discriminou ostensivamente: mulheres, negros e homossexuais.