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Práxis Política

A cereja de um bolo solado:

a falha do ENEM.

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

22/01/2020 12h51Atualizado há 4 meses
Por: Cesar Figueiredo
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Mais um drama atinge as famílias brasileiras, desta vez desferindo incertezas diretamente no futuro dos seus filhos, visto que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) deste ano corre o risco de ficar seriamente condenado. Devemos registrar que o ENEM é uma prova organizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), órgão institucional diretamente vinculado a pasta do Ministério da Educação do Brasil, sendo criado há mais de 20 anos, em 1998, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). O exame do ENEM serve, além de avaliar a qualidade do ensino médio no país, também e principalmente, como média para o acesso ao ensino superior nas Universidades Federais.

Portanto, através dessas médias os vestibulandos as submetem ao Sistema de Seleção Unificada (SISU), valendo inclusive esses resultados para algumas Universidades no exterior. Devemos ressaltar que é o segundo maior sistema de seleção via prova seletiva do mundo, perdendo, por motivos óbvios, apenas para a grande China. Além de garantir a entrada às universidades públicas, também serve como nota para os alunos que queiram uma bolsa parcial ou integral através do sistema do Programa Universidade para Todos (ProUni), criado em 2004 pelo governo Lula da Silva. Ou seja, a prova do ENEM é um conjunto de ações institucionais e que são integrados por diversos programas, visando abrir as portas para os alunos melhores qualificados ao ingresso no sistema de ensino superior.

Este ano, após grandes salvas festivas do Ministro da Educação e demais membros do governo, prometiam em rede de televisão e outros meios de comunicação, que este seria o melhor ENEM dos últimos anos; sobretudo em virtude da aludida organização, já que as provas deste ano não iriam incorrer em desvios esquerdizantes. No entanto, os resultados frustraram todas as expectativas, uma vez que o ENEM incorreu em erros graves e prejudicando milhares de alunos: já atinge o número de mais de 6.000 alunos acusando erros de correção nas provas, obviamente com isso, frustrando as suas pretensões de boas notas e erodindo qualquer pretensão de sucesso do certame por parte do governo federal.

Num primeiro momento, o governo não deu menção aos apelos dos vestibulandos, dizendo que eram apenas casos isolados e sem densidade que prejudicasse o processo seletivo. Porém, após ruidosas denúncias nas redes sociais de alunos clamando por uma solução, uma vez que não possuíam eco no governo, o Ministro cedeu aos apelos e foi a público admitir as falhas que se avolumavam. Embora com pretensões de fazerem o melhor ENEM dos últimos tempos, o resultado foi o contrário, pois redundou que a prova desse ano foi um grande fracasso, haja vista que além de colocar em xeque as capacidades gerenciais do governo, também frustrou as esperanças de vários estudantes que almejavam, através do vestibular, entrar numa faculdade e quem sabe futuramente ascender socialmente.

O processo do ENEM ainda está sub judice e sem alternativa de solução, avolumando diariamente as denúncias de má organização.  Por parte do governo, se justificam dizendo que fora um erro de impressão da gráfica licitada. Desculpas à parte, a pergunta que não quer calar é como vão solucionar o processo das provas erradas e evitar que os estudantes sejam penalizados, justamente por um problema que não é de sua responsabilidade. Mas, este é apenas mais um problema do Ministério Educação do Brasil, que já teve uma troca de cadeira no ano passado porque o outrora ministro demitido, Ricardo Velez Rodriguez, não estava dando certo. Fica, portanto, a pergunta de qual será o destino do atual Ministro Abraham Weintraub? Em meio a tantos conflitos com a educação no seu curto exercício, agora aflorado ainda mais com o caos insolúvel do ENEM.