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Práxis Política

Dirigentes Políticos Populistas e as suas características: parte 2.

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

15/03/2020 18h49Atualizado há 2 semanas
Por: Cesar Figueiredo
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No primeiro artigo sobre o tema, nesta coluna na semana passado (08/03/2020), ao dialogarmos sobre os novos Dirigentes Políticos Populistas, realçamos que não restringíamos em buscar as razões históricas do nascimento do velho modelo populismo, pois o que almejávamos seria explicar as razões da emergência desse modelo baseado no momento atual, buscando dar conta das mobilizações populistas dentro da agenda neoliberal e, principalmente, das promessas políticas antissistemas que estão em curso. Nesse sentido, buscando dar conta desse escopo teórico, enfatizamos que o populismo emerge não apenas da modernização daquelas estruturas do passado, mas também da forte presença pública de símbolos e das formas de apelo coletivo - mais uma vez, nos dias atuais, reatualizando “o povo” com vista a integração social coletiva dessa nova sociedade.

Sumarizando, então, enfatizamos que os movimentos populistas, assim como as formas polarizadas a eles associadas, são também momento para a produção de identidades e narrativas coletivas, por exemplo: a nação, o povo, a etnia - sempre num confronto dialético contra o establishment político. Consequentemente, esses políticos populistas constroem um espaço político extremamente saturado de polarizações, justamente para irromper e erigir uma hegemonia ideológica. Buscam, por conseguinte, nesse universo polarizado tensionar ao máximo, justamente com vistas a capturar as narrativas coletivas sob a bandeira do “povo”. Devemos, ainda, salientar que esses movimentos coletivos crescem, surgem e são fomentados, sobretudo, em ambientes políticos conflitivos, com desconfianças e com fraqueza nas representações, exatamente dando brecha para a assunção de líderes populistas com vistas a carregar a bandeira das demandas do “povo”.

Torna-se visível como em situações que emergem líderes com contornos populistas e com verniz autoritário há uma ênfase na polarização e na alteridade com o grotesco, com o bárbaro e com o primitivo, visando exacerbações com traços estéticos de mal gosto. Há, igualmente, uma ênfase para a falta de intelectualismo, mostrando uma tendência anti-cultura, uma vez que, para esses líderes, tudo o que condiz ao universo da cultura, da universidade, da estética refinada está vinculado ao mundo da elite, ou seja, está contido pelo establischment considerado por eles como falido e permissivo (universidades, intelectuais, partidos políticos, mídia, mainstream, etc), como se todos esses lócus fossem fomentadores do grand monde político que falhou. Desta forma, a fim de denegrir e estilhaçar com esse mundo consolidado, lançam mão de uma infinidade de fake news, bem como todo o sortilégio de revisionismo que pregam o fim das instituições: afundando com a racionalidade humana mais elementar.

Assim, a partir desse novo mundo erigido, irrompe novos discursos de legitimação baseados nos anseios desse “povo” e suas verdades impostas contra o mainstream privilegiado e politicamente correto. Seria como se houvesse uma revolta intelectual às avessas, melhor dito, como se aqueles que nunca tiveram condições de adentrar aos espaços legitimadores do saber se revoltassem e, portanto, buscassem destruir tudo (re)construindo uma nova lógica. Mas, conforme exposto, seria uma revolta baseado no recalque e, neste momento o “povo”, capitaneado pelo líder Populista emergido como um novo Messias, reconstrói a história com vista a sedimentar uma revisão baseada nos seus próprios pressupostos - mas sem nenhuma cientificidade, assim como coloca de refém dos seus caprichos a cultura e a ciência.