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Práxis Política

O rei louco e os vassalos aproveitadores: velhos personagens da política.

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

22/03/2020 16h36Atualizado há 5 meses
Por: Cesar Figueiredo
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No período Absolutista, entre os séculos XVI e XVII, é enfatizado que havia por parte do rei um poder absoluto, emanado através da figura do soberano, de modo que ele podia realizar todas as atitudes que quisesse, haja vista que o todo o reino era propriedade de suas posses. A história foi pródiga de reis soberanos absolutista no período, bem como são famosos também os seus desmandos, tal fato tornava-se ainda mais grave quando o soberano não apresentava o exercício pleno de suas faculdades mentais. Os famosos casos dos reis loucos na história são muito conhecidos, podendo ser estudado em muitos livros de história e, inclusive, visto em filmes de Hollywood.

            No rol do elenco que circundava esses reis loucos existiam os vassalos, que seria um título dado ao subordinado desse soberano. Melhor explicando, o vassalo era o indivíduo que pedia algum benefício a um nobre e, em troca, fazia um juramento de absoluta fidelidade a este rei. Ainda, havia a figura do servo, sendo este um indivíduo com total dependência em relação à terra em que trabalhava e ao seu senhor, podendo ser definida como a situação jurídica das pessoas não livres, a partir do século X, nas sociedades feudais ocidentais. Além desses personagens, ainda havia o bobo da corte, que funcionava justamente para divertir a corte e contar história de maneira lúdica, a fim de entreter reis e rainhas em seu ócio improdutivo.

            No Brasil, na passagem do Brasil Império para a sociedade de classe e com a instituição da Brasil República, tivemos alguns Presidentes que tiveram uma postura muito duvidosa acerca da sua capacidade mental, tal e qual os reis loucos absolutistas. Assim como ocorreu com esses reis, as autoridades tiveram muitas dificuldades de provar a inoperância da capacidade mental desses Presidentes, tendo que, necessariamente, os seus cidadãos esperarem até as próximas eleições para alijar o descompassado do governo presidencial. Sem pretender deter em exemplos controversos ou polêmicos, basta citar o Presidente Delfim Moreira, que governou durante um curto período (1918-1919), mas que teve que sair do seu mandando pelo fato que sofria de descontrole emocional.

            Após a saída desse Presidente por motivos psíquicos, tivemos outros mandatários, que mesmo lúcidos, tiveram a impressão de ser impregnados por um poder absolutista, ou seja, se considerando que estavam acima das outras instituições e querendo mandar no Brasil ao seu bel prazer, como se todo o país fosse uma posse do seu poder soberano. Tivemos, também, um período terrível ditatorial (1964-1985), momento em que ditadores assumiram a presidência do Brasil como se fossem os legítimos chefes do executivo, mandado em tudo e sendo conivente com o aniquilamento dos oponentes do regime militar. Logo após, tivemos outros Presidentes que se equivocaram com o seu poder, como Fernando Collor de Mello, tendo este sofrido impeachment pelos seus desmandos ao país, deixando o Brasil inserido numa grave crise politica

            Realço que apenas um Presidente fora considerados realmente desequilibrado, já outros usaram o seu poder acima das suas prerrogativas, fato este que ocasionou os ocasos de impeachment. Mas, enquanto houve esse desfile de Presidentes, ora louco ora se achando reis absolutistas, havia também uma legião de servidores e aproveitadores como se fossem vassalos reais, assim como sempre existiram os bobos da corte de ocasião. Em síntese, velhos personagens da política que não mudou nada na história do Brasil, mas que ainda clama por mudanças objetivas em face do caos instalado dos últimos acontecimentos da saúde.