E-mail

redacao@correioma.com.br

WhatsApp

99 98190-5359

Camara Imperatriz
Corona Maio
Radio Timbira
Práxis Política

Lembrar para não esquecer: 56 anos de Golpe Civil-Militar no Brasil

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

31/03/2020 15h13Atualizado há 2 meses
Por: Cesar Figueiredo
434

No dia 31 de março de 1964 um Golpe Civil-Militar desmanchou a dinâmica institucional brasileira e fez o país mergulhar num mar de sangue, atraso e dor, seria a dramática ditadura civil-militar brasileira, em virtude do terror instalado. Essa ditadura perdurou de 1964 a 1985, trazendo severas sequelas para toda a sociedade, desde o déficit da educação, passando pela fragilidade econômica e exclusão social. Convém realçar que, após o fim da ditadura civil-militar, nosso país recebeu como herança um dos índices de contrastes sociais mais graves do mundo, no tocante a miséria, aos direitos humanos, ao analfabetismo e a dívida externa.

Ou seja, a ditadura legou uma situação de extrema penúria social na década de 80, principalmente na passagem da ditadura para a democracia na segunda metade da década de 80. Para quem se lembra, possuíamos uma das maiores dívidas externas do mundo, demonstrando o fracasso da ditadura em seus mal-arranjados modelos econômicos. Na esteira desses fracassos econômicos tivemos, também, a atrofia do Estado e o seu endividamento público, deixando um país com severas debilidades. Como consequência, havia uma enorme cadeia improdutiva e especulativa que se locupletava do caos econômico nacional, no ocaso final do regime militar, consequentemente, deixando como herança maldita um país empobrecido, espoliado e sem a mínima condição de gerência: a década de 80 fora denominada como a década perdida.

Não obstante esses desmandos no cenário político e econômico gerados por uma ditadura, que não conseguia criar desenvolvimento continuado e somente criava rupturas abissais entre as classes sociais, ainda pesava o descompasso e falta de diálogo com a classe trabalhadora, principalmente, o arroxo salarial, o desemprego e outras mazelas que trazia gravosos déficits. Também, houve o inchaço das grandes cidades, na medida em que os grandes centros urbanos cresceram quantitativamente e não qualitativamente, justamente em face do grande êxodo rural: cidades atrofiadas e sem infraestruturas para uma boa qualidade de vida, vide as grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, onde viver tornar-se-ia sinônimo de sobreviver.  

Igualmente, devemos realçar que a educação nesse período ditatorial foi extremamente estrangulada, pois não fora criado um projeto educacional digno, democrático e inclusivo, obviamente, que nunca iriam criar, visto que vivíamos num período ditatorial em que a senha era a opressão e a exclusão. Nesse cenário pesava a falta de expansão das universidades, sendo estas exclusivamente para a elite e a classe média bem-posta, exatamente em virtude do seu modelo concentrado, não inclusivo e sem ocorrer uma expansão para além dos grandes centros urbanos. Como saída, sobrava às classes trabalhadoras terem que adquirir o nível superior via endividamento e financiamento com instituições particulares de ensino, conforme foi bem demarcado pelo modelo de expansão do ensino superior brasileiro dos anos 60 ao 80.

Finalizando, não devemos nunca esquecer os milhares de torturados e exilados políticos, que sofreram a opressão do Estado nesses terríveis anos, deixando para o país uma grande dívida pela dor que infringiu aos seus cidadãos. Ainda, houve os casos de mortos e desaparecidos políticos, isto sim foi o pior legado deixado pela ditadura, uma vez que muitas famílias nunca mais puderam rever seus entes queridos e resgatar os corpos dos seus filhos, após estes serem assassinados depois de torturados por agentes do Estado. Em síntese, é preciso lembrar para não esquecer nunca desse período terrível e, assim, evitar revisões históricas absurdas que visam restaurar como heróis esses torturadores e ditadores: Ditadura Nunca Mais!