E-mail

redacao@correioma.com.br

WhatsApp

99 98190-5359

Radio Timbira
Outubro Rosa
Práxis Política

O Golpe de 2016 faz quatro anos neste mês e o que mudou?

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

22/04/2020 17h49Atualizado há 6 meses
Por: Cesar Figueiredo
625

Uma das falácias insistentemente propaladas durante o processo do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff, era a necessidade de retirar a Presidenta legitimamente eleita para o Brasil voltar a crescer. Porém, nesse mês de abril de 2020 faz quatro anos que ocorreu o processo de Golpe na democracia brasileira com a deposição de Dilma Rousseff, mesmo ela tendo sido inocentada posteriormente, visto que pôde concorrer nas eleições seguintes para Senadora por Minas Gerais, em 2018, ficando comprovado, portanto, que Dilma era Ficha Limpa. Mas, passados esses quatro anos, questiono o que mudou no país?

Esse questionamento vai para todos que reiteradamente repetiram o discurso da necessidade que ocorressem mudanças para o Brasil voltar ao trilho, tanto não voltou ao trilho como descarrilhou completamente em pouco tempo, visto que no rápido e inútil governo de Michel Temer o país paralisou em virtude da greve dos caminhoneiros. Como se não bastasse ter ocupado o posto de Presidente de forma ilegítima, via articulação e apoio do Golpe, Temer mostrou-se ineficaz gerencialmente, uma vez que o Brasil apresentou índices baixíssimos de rendimentos. O resultado foi funesto e a população começou um vigoroso processo de soterramento ao final do seu mandato, pois o país patinava em índices negativos de desenvolvimento e do PIB, como também afundava pelas altas taxas de desemprego.

A conjuntura caminhou para momentos mais graves, principalmente pelo total soterramento do referencial da cultura democrática nacional, que estava em vias de consolidação em face da herança maldita da ditadura civil-militar brasileira. Além de possuirmos, naquele momento, ainda uma cultura política democrática incipiente, mas que poderia ser (re)construída com o nível de confiança nas instituições mediante esforço e exemplo do chefe do executivo. Porém, com o caos impetrado e pela polarização esgarçada tudo fora erodido, sobrando apenas um duelo suicida nas eleições de 2018 entre dois polos irreconciliáveis: o Brasil definitivamente dividido e fora do eixo.

Mas, voltando a nossa primeira Presidenta eleita, vale refletir tanto como o país piorou quanto como a vida particular dos cidadãos foram arruinadas nessa sequência de tempo, em que falaciosamente fora pregada a retomada do fausto econômico, entretanto, o que ganhamos foram os fracassos individuais e coletivos. Podemos, por exemplo, nos deter no quantitativo de desempregados, que não diminuiu e pelo contrário só aumentou - uma vez que saíamos do pleno emprego e voltamos, novamente, para a tragédia nacional do Brasil sem trabalho. Além do retorno do desemprego, também, o país voltou a figurar no mapa da fome, situação de desgraça coletiva que tínhamos conseguido sair no início da década de 2010 – mais uma vez, mudando para pior o Brasil!

Além dos cortes abruptos, das mentiras e do fausto que não retornou, ainda pesa aos defensores do Golpe a falta de respeito para com a primeira mulher eleita Presidenta: lembram daqueles adesivos colocados nos carros quando havia aumento de gasolina no governo Dilma, quando o litro da gasolina estava pouco mais de R$ 2,00, por acaso fizeram o mesmo com Michel Temer quando a gasolina beirou R$ 5,00? Como resposta negativa, o que fica explícito não era a simples intensão de mudar para o Brasil voltar a crescer, mas sobretudo o caráter misógino e machista de verem uma mulher como mandatária da nação, entre tantas outras explicações econômicas, políticas e sociais que justificaram, para os golpistas, as mudanças que deveriam ocorrer. Retomando a pergunta inicial para a sua reflexão, a fim de demarcar tudo o que mudou e ocorreu no Brasil nesse período: responda se o país realmente melhorou nesses quatro anos de Golpe?