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Práxis Política

A ameaça do Nazifascismo: o século XXI em perigo.

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

18/06/2020 18h24Atualizado há 4 meses
Por: Cesar Figueiredo
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Um dos grandes dramas que assombrou o século XX foi a eclosão do nazifascismo na Europa na primeira metade do século, evento político trágico que deixou milhares de mortos. Para efeitos teóricos, devemos situar nazifascismo como a conjunção de dois movimentos totalitários, que possuem distinção, contudo, em linhas gerais, se complementavam no terror perpetrado aos seus oponentes. O primeiro seria o fascismo, que grassou a Itália com a ascensão de Benito Mussolini, servindo, posteriormente, de modelo e inspiração nacionalista de extrema-direita para o nazismo, que veio a se consolidar na Alemanha com Hitler.

            Devemos frisar bem esses dois modelos, nos detendo, primeiramente, na emergência do fascismo italiano após I Guerra Mundial. Em 1918, com o fim da guerra, a Itália estava passando por sérias dificuldades econômicas e nesse período ascende a figura de Benito Mussolini, que passou a governar com mãos de ferro a Itália entre 1922 e 1943, criando um Estado totalitário através das suas milícias paramilitares, denominadas de Camisas Negras. A partir de sua ascensão ao poder, construiu um Estado de terror e medo, iniciando uma campanha de fanatização que culminaria com o aumento progressivo de seu poder, igualmente impondo trágicas interdições aos demais partidos políticos e sindicatos.

            Seguindo percurso similar, emergindo das crises do final da I Guerra e, principalmente, após o colapso da economia de 1929, irrompe a figura de Adolf Hitler. O novo dirigente aportava como um Salvador da Pátria do povo alemão, visto que a Alemanha estava arrasada e extremamente endividada pelo conflito bélico que saíra derrotada: Hitler prometia com seus discursos ufanistas, novamente, elevar a nação germânica ao seu apogeu e glória perdida. Assim como na Itália, criava um Estado nacionalista extremamente centralizado na sua figura golpista, desprezando quaisquer resquícios da democracia que fora instituída anteriormente, contudo, diferia do fascismo italiano pelo xenofobismo e pela ênfase no extermínio de populações párias, especialmente, judeus, homossexuais, ciganos e comunistas.

            Em síntese, analisando a conjugação desses dois segmentos, podemos inferir as seguintes caracterizações em comum: 1) Valorização do nacionalismo extremado; 2) totalitarismo de Estado e Corporativismo; 3) Ênfase no militarismo; 4) Obsessão com a segurança nacional; 5) Desprezo pelos direitos humanos; 6) Desprezo por intelectuais e artistas; 7) Controle da mídia e censura; 8) Uso da religião como forma de manipulação. Ainda, devemos explicitar que para aplicação teórica do termo a denominação de Estado Fascista se aplica ipsis litteris apenas ao modelo italiano, pois foi elaborado naquele país num determinado momento histórico e político.

Portanto, quando nominamos que nações atuais ou governantes neste século XXI possuem elementos fascista, sublinhamos teoricamente que possuem características políticas advindas do fascismo italiano, logo, podendo rumar para um modelo similar de totalitarismo de Estado fascista. Assim, frisamos que essas inferências teóricas e comparações servem, inclusive, muito bem para caracterizar os modelos recentes, sobretudo, como forma de marcar aqueles dirigentes políticos extremados, especialmente os que possuem pendor para autoritarismo saudosistas e estão cotidianamente alardeando possíveis golpes de Estado. Mediante o exposto, cumpre sempre advertir retiradamente, como forma de denúncia, essas grandes sequelas advindas do nazifascismo na história da humanidade e, acima de tudo, evitar que essa chaga volte a assombrar o presente nesse início século.