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Práxis Política

Quem com ferro fere, com ferro será ferido: o ocaso de Weintraub

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

25/06/2020 14h50
Por: Cesar Figueiredo
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Existem alguns ditados populares que são muito apropriados para o momento político que estamos vivendo, principalmente, levando em consideração o estoque de maldade desferidas nos últimos acontecimentos no Brasil. Destaca-se nesse elenco de aberrações políticas vários impropérios desferidos pelo outrora ministro Abraham Weintraub, alguns podendo causar-lhe dissabores criminais, todas as acusações foram  desferidas durante o seu curto espaço no Ministério da Educação e Cultura (MEC), ficando no cargo pouco mais de um ano, contudo com grandes sequelas ainda insanáveis.

Após demissão por incompetência do ministro anterior do MEC, Ricardo Velez Rodriguez, ascende o ex-Ministro Weintraub em abril de 2019 e ficando no ministério somente até 19 de junho de 2020 – quando embarcou, por vias questionáveis, para os Estados Unidos após anunciar demissão: grifamos que somente foi dada a sua exoneração após ter chegado ao Estado Unidos com passaporte diplomático. Melhor explicando o imbróglio, realçamos que somente se consegue viajar com trânsito livre, nesse período de pandemia, via instrumento legal diplomático. Assim, Weintraub conseguiu embarcar para exterior, mesmo tendo uma série de acusações que possa pairar sobre a sua cabeça, podendo ainda responder na justiça brasileira.

A série de acusações é extensa, indo desde palavrórios patéticos até criminais, por exemplo, quando bradou e chamou de viva voz nas suas próprias palavras “que os ministros do STF eram vagabundos e deveriam ser presos”. Obviamente que há a lei da ação e reação, visto que, embora se protegendo pelo manto de uma reunião ministerial, o vídeo foi veiculado por ordem judicial e tomou contornos criminais, sendo o ex-ministro incauto chamado para depor. Também, no mesmo rol de acusações, pairam sequências de ofensas xenofóbicas para com a China, quando Weintraub acusou os chineses pela intencionalidade e proveito econômico com o coronavírus.

Especificamente quanto ao ônus causando no MEC, os problemas beiram alguns sérios contratempos, por exemplo, destacamos as acusações reiteradas e queda de braço desferidas contra as Universidades, bem como impropérios acusatórios para a comunidade acadêmica. Igualmente, realçamos os equívocos da gestão nas últimas provas do ENEM, causando problemas para registro das notas e prejuízos graves para muitos alunos que estavam aguardando a nota final para ingressarem nas universidades. Fechando o enredo macabro, ainda, nos últimos dias de mandado “presenteou” a comunidade acadêmica com uma Portaria que visava a exclusão de cotas na pós-graduação. Porém, felizmente essa Portaria foi revogada na semana seguinte, dando continuidade a uma das poucas medidas afirmativas/reparativas dentro do sistema de cotas brasileiro – ainda tão carente de apoio e precisando de diretrizes sérias enquanto políticas públicas para a sua efetivação plena.

Com o intuito de brindar o Ministro demitido, o chefe do executivo indica-o para um vultoso cargo no Banco Mundial, com vistas a manutenção da sua estadia no exterior, contudo, sendo esta indicação extremamente criticada, tanto pelo quadro político nacional quanto pelos próprios funcionários do Banco Mundial. De acordo com as últimas notícias, funcionário do próprio banco não endossam a sua nomeação, pedindo a sua não contratação, visto que seu perfil e histórico não se enquadram com a agência internacional. Em síntese, concluindo a análise, relembramos o seguinte ditado: quem com ferro fere, com ferro será ferido! Cabendo, portanto, com mestria a Weintraub, justamente em face de inúmeros descalabros desferidos no seu curto e inglório período no MEC.