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Práxis Política

O negacionismo acadêmico e a distopia ministerial: o saldo deletério na educação.

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Figueiredo convida os leitores para uma reflexão críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política.

01/07/2020 21h33Atualizado há 1 mês
Por: Cesar Figueiredo
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Estamos assistindo estupefatos dois movimentos extremamente dialéticos, de um lado, um elenco bufão de políticos que procuram negar tudo que é de proveitoso academicamente – em todas as áreas do conhecimento. De outro lado, com a mesma desenvoltura que negam a importância do conhecimento e da universidade, não conseguem se sustentar nos cargos públicos, justamente pela falta de conhecimento técnico para empunhar tais pastas políticas. Destacamos nesse último cenário o novo ministro demissionário do MEC, Carlos Alberto Decotelli da Silva - que foi sem nunca ter sido – exatamente por não ter a competência técnica para o cargo e ter mentido a bandeira despregada sobre o seu currículo.

            Como vivemos num momento em que a comunicação é pública, portanto, qualquer mentira torna-se facilmente comprovada, vindo a ser desmentida em todas as instâncias institucionais em que falsamente aludiu ter título. A sequência dos fatos chega a ser patética: 1) alegava ter um pós-doutorado, sem ter doutorado, uma vez que foi reprovado na defesa da tese; e, para coroar, 2) sua dissertação de mestrado é acusada de plágio – podendo gerar a perda do título em virtude de uma dissertação sem lastro acadêmico. Como iria participar de um governo que não dá muito destaque a titulação, portanto, somente a graduação já estaria bom, mas preferiu mentir.

            De qualquer modo, parece não ser o único a incorrer em façanhas falaciosas de currículo, porém foi o ministro do atual governo que foi mais além distopicamente: saltou de uma graduação real para um pós-doutorado imaginário. Existe outro ministro que disse ter mestrado na Universidade de Yale nos Estados Unidos, sem nunca ter título e depois justificaram o “lapso”, assim como há a ministra que alude possuir mestrado bíblico por graça divina. Entretanto, o fato gravoso do ministro demissionário era que ele iria trabalhar no MEC, ou seja, na própria instituição federal que regula as agências de pesquisas e universidades que concedem os títulos, por mérito para quem faz jus efetivamente.

            Realçamos que já é o terceiro ministro em 1 ano e meio de governo Bolsonaro e, mais impactante, no meio de uma pandemia - com gravíssimas consequências para o ensino brasileiro. Existem várias implicações advindas dessa inoperância na pasta do MEC, principalmente, a falta de uma gestão eficaz para lidar com a continuidade dos projetos de apoio nesse momento de crise da saúde, sobretudo para atender aos milhares de alunos que se encontram desassistidos em face do modelo de aula virtual: extremamente elitista. A educação agoniza, mas não existe nenhum timoneiro no leme do navio para conduzi-lo nessas águas turbulentas impactadas pelo Coronovirus: o saldo deletério será gravíssimo a curto prazo e talvez irreparável a longo prazo.

Porém, por pior cenário que possamos vislumbrar para a educação, de fato, pouco ou nada irá mudar, visto que não é anunciado nenhum projeto salvacionista em grau de urgência. Logo, parece que esse negacionismo acadêmico encontrou seu terreno fértil, uma vez que se não há valorização da educação e tampouco a posse de um ministro competente, consequentemente, mais adiante, sabemos que não haverá cultura, ciência, academia e universidade. Em síntese, viveremos futuramente a agonia total do conhecimento, em que pelo transcorrer dos acontecimentos prevalecerá a ênfase na mentira do currículo inventado do que realmente o título obtido por mérito, conforme podemos ver publicamente com o modelo acadêmico distópico desse ex-ministro: Que vergonha, Brasil!