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Práxis Política

Eleição de 2020: cenários possíveis e limites institucionais.

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

09/07/2020 17h10
Por: Cesar Figueiredo
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O Brasil é um dos poucos países do mundo que possui um cronograma eleitoral extremamente bem consolidado, havendo também um excelente trabalho da Justiça Eleitoral, precisamente desde o retorno da democracia no Brasil e da Constituição de 1988. Além das regularidades eletivas, igualmente, destacamos a lisura do processo com eleições que foram se aprimorando ao longo a década de 90 até chegarmos ao modelo da urna eletrônica. Esse modelo é avaliado com aprovação positiva por todos os observadores internacionais e pesquisadores, sobretudo por ser um processo eletivo extremamente aperfeiçoado e com destaque entre as nações livres democráticas.

            Em virtude do Coronovirus houve mudança de calendário, pois ao invés do mês tradicional do pleito ser em outubro, as eleições foram remarcadas para o mês de novembro. Realçamos, contudo, que não haverá mudança de fato, pois o calendário de eleições se efetivará, mantendo as eleições de 2020 para os cargos de prefeitos e vereadores. Destacamos o quão importante são essas eleições no cenário político, uma vez que as eleições municipais, via de regra, servem como um termômetro para as políticas em curso e projetos que foram votados na eleição anterior para os cargos federais, de maneira especial direcionados ao executivo federal.

            Em linhas gerais, dialogando com as eleições presidenciais, o pleito municipal  possui as seguintes atribuições: 1) referendar a política em curso votada na última eleição do executivo, demonstrando se haverá ou não continuidade da mesma tendência política; 2) ser a antessala  de novas agendas políticas e demonstrar a emergência de novas ondas ideológicas, as quais poderão impactar na eleição vindouro de 2022; e, 3) possuir a capacidade de selecionar e filtrar a ascensão de novos político, os quais poderão emergir nesse cenário, sendo, portanto, os futuros jogadores dos cenários vindouros. Em síntese, as eleições municipais seriam o termômetro da macro política nacional e porta de entrada para novos cenários, assim como o trampolim dos novos personagens no complexo jogo político.

            Quanto especificamente aos cenários municipais, podemos inferir que ele ainda está muito nebuloso e sem uma densidade analítica para proferir qualquer prognóstico, uma vez que as cartas ainda estão na mesa e qualquer apontamento seria mera especulação. Não obstante, podemos indicar os seguintes pontos: 1) ainda a ocorrência da forte fragmentação da dita esquerda, que não possui uma definição teórica e pragmática, bem como continua longe de buscar o seu público eleitor perdido; 2) o oportunismo dos partidos que se dizem democráticos e progressistas, ainda não possuindo uma visão clara com posicionamento sobre a política atual, melhor dito, ficam num eterno “em cima do muro” com vista a vislumbrar qual a melhor onda para surfar; e, 3) finalmente, o elenco Bolsonarista com os seus personagens que se amalgamaram numa curiosa liga, composta pelos fundamentalistas religiosos, os empresários do agronegócio e as forças militares.

            Embora haja desgaste dessas amarras do Bolsonarismo pelas várias defecções que vem sofrendo, entretanto, visualizamos a manutenção de um núcleo duro, haja vista que mesmo com o caos instalado com a Pandemia do Coronovirus o grupo se mantém inerte. Em face de tantas incertezas, talvez, podemos ter um dado positivo nas eleições vindouras, precisamente acerca da investigação sobre o uso espúrio das fake news, uma vez que, caso seja realmente bem investigada, pode servir para encarcerar e inibir fraudadores eleitorais. Porém, não podemos ter grandes esperanças, mudanças e elucubrações mentais sobre os resultados de 2020, visto que apesar dos esforços por uma eleição democrática e limpa, contraditoriamente a grande força que direciona os resultados,  inalteradamente, é o capital financeiro: fomentando campanhas, inflando candidaturas de grupos de interesses e doando dinheiro sempre para os mesmo partidos direcionados ao grand monde político.