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Práxis Política

A supremacia da barbárie no reino encantado da fake news.

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

16/07/2020 15h23Atualizado há 3 meses
Por: Cesar Figueiredo
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O final do século XX e, mais detidamente, nesse início do século XXI viu germinar dois movimentos que se complementam: 1) a ascensão de políticos neopopulistas; e, 2) difusão de falsas notícias potencializadas pelo universo virtual. Sendo, portanto, dois elementos extremamente complexos e que se reforçam num mutualismo extremamente degradante ao universo político. Retomo a questão do mutualismo advindo da biologia, aplicado ao lócus político, pensando nessa associação espúria entre dois entes/seres, na qual ambos são beneficiados e resultando numa dependência mútua.

            Melhor explicando, um não vive sem o outro, uma vez que políticos com vernizes neopopulistas nesse início do século precisam, necessariamente, proferir mentiras, calunias e falsificações históricas para se manterem ativos politicamente. São parasitas altamente prejudicais à sociedade, visto que preferem destruir o passado e reconstruir tudo novamente, obviamente a partir da sua lente atrofiada de visão. Nesse sentido, as fake news servem com maestria a esse propósito, uma vez que endossam todas as políticas esdrúxulas dos mandatos desses políticos:  extremamente beligerante, agressivo e destruidor.

            Conforme podemos observar, amalgamam os seus adeptos por dois prismas: 1) miram numa destruição do seu oponente – evidenciando uma negação dos princípios democráticos que pressupõe o diálogo e a concórdia; e, 2) também, objetivam uma completa negação das benesses que seus oponentes fizeram no passado, por conseguinte, não permitindo que veiculem nada de positivo de gestões passadas. Assim, o passado deve ser erodido e liquidado, bem como qualquer tentativa de lembrança deve ser sumariamente rechaçada, sobretudo por meio de deboche e escárnio. Realçamos, contudo, que a única volta ao passado permitida por esse grupo é uma idade de “ouro perdida” idealizada e realçada com esmero por estes líderes neopopulistas.

            São reflexões baseadas sem qualquer lastro legal ou histórico, uma vez que são difundidas por esse elenco de fake news, eminentemente associadas com esse mutualismo das trevas, em que somente são realçados pontos positivos do passado e soterrado qualquer deslize histórico. Nesse duelo ocorre um verdadeiro cardápio dos horrores históricos, indo desde propagandear benesses absurdas do período nazifascista até mesmo afirmarem que as ditaduras militares possuíram algum valor positivo – mesmo com todos os números comprovados de prisões indevidas, torturas, sequestro de crianças e desaparecidos políticos, obviamente, sendo os dados comprobatórios relativizados por essa horda de fake news.

Assim, esses políticos neopopulistas se regozijam com essas falsas notícias, pois se alimentam delas e reforçam as confusões com o objetivo de fazer polémicas, ou seja, justamente com a finalidade de se manterem na mídia e darem a palavra final. Não há, por conseguinte, nenhuma tentativa de explicar ou buscar um diálogo sob a insígnia das verdades históricas; pelo contrário, pois o que almejam é o soterramento da cultura, da escrita e da ciência, haja vista que se alimentam da ignorância humana. Em síntese, quanto mais precarizarem a educação, consequentemente, mais empoderamento será amealhado por esses políticos neopopulistas. Justamente por essa razão é que as universidades, alma mater da verdade e da ciência, vivem sob constantes ataques desse império trevoso das fake news.