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O Cristofascismo e as lógicas da ascensão da extrema direita: a teologia fundamentalista do ódio.

Análise Política

07/08/2020 18h40 Atualizada há 7 meses
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Por: Cesar Figueiredo
O Cristofascismo e as lógicas da ascensão da extrema direita: a teologia fundamentalista do ódio.

          O nosso mundo moderno deita suas raízes profundas num vínculo estreito entre Estado e religião, como elemento fundante tanto da estrutura de governo quanto dos limites geopolíticos. Podemos visualizar, por exemplo, na própria história brasileira quando houve o processo de colonização do território e o papel atribuído à Igreja, sobretudo o trabalho efetivado pela Companhia de Jesus, desde os primórdios do Brasil Colônia. Conservando durante um longuíssimo tempo no Brasil o vínculo entre a religião e a política, consequentemente, dando uma coloração nitidamente não laica para o Estado brasileiro, a despeito das outras religiões que floresciam.

            Esse modelo de comunhão orgânica entre religião e política não fora um atributo qualificativo apenas da conjuntura brasileira, visto que fora fértil em todo mundo, desde tempos longevos. Realçamos que essa vinculação se mantém frondosa até o tempo presente no plano internacional, contudo com vários modelos e roupagens diferenciadas, sendo marcante atualmente a ocorrência dessa mesclagem entre a religião e um modelo derivado do fascismo, que podemos denominar Cristofascismo: Em linhas gerais, Cristofascismo consiste na bricolagem espúria de um discurso pseudoreligioso associado a pautas extremamente autoritárias e conservadoras, alinhando setores que pregam o armamento da sociedade, nutrem a cultura do ódio, o sectarismo religioso, assim como demais ajustes forçados entre a fé e as pautas que permeiam toda a sociedade.

           Esse é um movimento que ascende frondosamente no século XXI, colocando em xeque teorias que julgavam que a sociedade nesta presente quadra iria caminhar para um processo de secularização, melhor dizendo, um processo através do qual a religião perderia a sua influência sobre as variadas esferas da vida social. Crendo que com o avanço da cultura e da ciência, por conseguinte, a humanidade iria caminhar para um processo de busca da razão e se desvincularia de preceitos religiosos para gerir suas vidas. Ledo engano, principalmente nos países de Terceiro Mundo, onde a religião ainda é um móvel pujante para diversas camadas sociais em condições de vulnerabilidade, que encontram na fé religiosa um suporte na luta cotidiana pela sobrevivência.    

            Nessa perspectiva, poderíamos inferir Cristofascismo como a convergência de uma teologia religiosa fundamentalista associada a governos neopopulistas com pendor autoritário, destaca-se, ainda, neste cenário a valorização da defesa de uma família idealizada cristã. Como plataforma político/religiosa, rechaçam as pautas e políticas identitárias difundidas pelos partidos de esquerda ou progressista, que porventura venham a insistir num projeto mais plural de sociedade. Seria, portanto, este atual momento a volta do Estado em comunhão orgânica com a religião, contradizendo os modelos e as estruturas políticas das democracias liberais modernas ocidentais, que em suas Constituições explicitam que o Estado deve ser laico.

             Portanto, Cristofascismo seria a pregação do discurso de ódio, justamente, a quem esses grupos religiosos fundamentalistas e políticos autoritários consideram diferentes, visando exterminá-los. Reitero novamente que esse processo não é constructo de um único país, haja vista que modelam esse discurso de acordo com a realidade de cada nação, com a finalidade de capturar fiéis e eleitores. Em síntese, a plataforma da teologia autoritária associada a uma narrativa explícita armamentista se alastra com muita força internacionalmente, servindo como um instrumento político eficaz muito bem capturado pelos atuais líderes neopopulistas autoritários, parafraseando-os: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”!