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análise política

O Governo Bolsonaro e a sua nova onda de aprovação: o velho uso da política.

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Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

14/08/2020 18h19Atualizado há 4 meses
Por: Cesar Figueiredo
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Após novas pesquisas sobre o desempenho do governo Bolsonaro, realizadas pelo Datafolha em 11 e 12 de agosto, surgem alguns dados que pontuam o seguinte: 1) 37 %, bom ou ótimo; 2) 34 %, ruim ou péssimo; e 3) 27 %, regular. O saldo surpreendente, segundo alguns analistas afoitos, é a evolução dos índices de bom ou ótimo, que subiu 32% em junho para 37 % em agosto, considerando a margem de erro percentual de 2 % para mais ou para menos, portanto, não houve tão abissal diferença. Contudo, representa uma grande diferença os índices de ruim ou péssimo, que despencou de 44 % para 34 %: nessa situação sim, poderíamos dizer que houve uma mudança no cenário.

            Não obstante, se olharmos detidamente para a evolução da atual aceitação do governo Bolsonaro e cruzando com os dados eleitorais do 2º turno, observaremos que os números não mudam tanto para este atual cenário, visto que ocorrera a seguinte distribuição com a totalidade dos eleitores aptos a votar em 2018: 39, 23 % votaram em Bolsonaro; 31, 93 % votaram em Haddad; e, 28,84 %  votaram em branco, nulo ou se abstiveram. Portanto, mais de 60 % não endossaram o voto a Bolsonaro, mas o que o tornou eleito foram os votos válidos computados. Mediante essa análise, podemos considerar que esses que não votaram em Bolsonaro são os mesmo que consideram o atual governo regular, ruim ou péssimo?

            Óbvio que não, pois seria muita estreiteza de análise achar que os eleitores de 2018 se mantiveram equivalentes e cristalizadas até 2020, como pode ser verificado na oscilação da faixa entre os que consideram o governo ruim ou péssimo, de acordo com o Datafolha. No entanto, devemos colocar em destaque a manutenção dos números quase inertes, comparativamente, entre os eleitores do Bolsonaro em 2018 e os índices que o consideram atualmente bom ou ótimo. Ou seja, além de manter esses seus eleitores fieis, curiosamente ainda está conseguindo puxar uma franja de novos adeptos para si – que merecem uma análise séria para identificarmos qual nova fatia está caindo nas graças do Bolsonarismo.

            Quanto a essa questão há algumas hipóteses bem robustas, justamente dando indicativo de ser a parcela da população mais carente e desempregada os novos adeptos, melhor explicando, seria aquela camada da população que está sofrendo em face do Coronavírus e está recebendo o auxílio emergencial de R$ 600,00. Para esta parcela da população que vive deste auxílio, obviamente, qualquer ajuda é muita bem vinda e necessária, logo, catapultando a imagem de Bolsonaro para a estratosfera. Contudo, devemos pertinentemente considerar as seguintes hipóteses causais: 1) se houvesse um tratamento eficiente desde o início do Coronovírus, não haveria a quebra generalizada da economia e o aumento de desemprego nos postos de trabalho; e, 2) consequentemente, não haveria a necessidade da manutenção desse auxílio emergencial, por conseguinte, a população vulnerável não ficaria à mercê de uma ajuda salvacionista do governo federal.

            Assim sendo, podemos inferir, a priori, que politicamente o Coronovirus está proporcionando um novo gás nos índices de popularidade de Bolsonaro, pois está conseguindo sabiamente capturar para sua franja de apoio os antigos eleitores do Lulismo, que se despedem do Bolsa Família. Não obstante as críticas e comparações, devemos sabiamente enfatizar a importância da manutenção desse programa de auxílio emergencial, uma vez que para grandes parcelas da população esta é a única fonte de renda. Entretanto, devemos avaliar o uso político que está sendo feito desse auxílio, mesmo havendo mais de 100.000 mortos no país pelo Coronavírus: fazer política com a pobreza alheia é muito contraditório, mas sempre foi assim no país. Em síntese, os atuais dados de aprovação são apenas uma velha “novidade” política: Bolsonaro caminha firme para o seu segundo mandato em 2022.