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Práxis Política

Há algo de podre no Reino do Marketing Político.

Análise Política

Práxis Polítika

Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

21/08/2020 15h43
Por: Cesar Figueiredo
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A célebre frase ‘Há algo de podre no reino da Dinamarca’, faz parte da peça ‘Hamlet’ de autoria de Shakespeare, a origem da expressão se referia a traições e homicídios que ocorriam na história da tragédia. Muito bem aproveitada para o universo político, também, a célebre expressão passou a ser usada para situações controversas e que porventura haja situações escusas a serem esclarecidas. Ou seja, “há algo de podre” pode ser muito bem empregado para diferentes contextos, países, personagens e eventos, evidenciando as formas desonestas que é agenciada a política.

            Um dos últimos acontecimentos que está balançando o mundo político é a prisão de Steve Bannon, estrategista político da campanha de Donald Trump nas eleições de 2016, igualmente um dos principais articuladores da viragem política neoconservadora do final desta década. Além das garras afiadas na arena americana, Bannon também estende braços robustos para outros líderes populistas em outros países – através de uma estratégia bem pensada de dominação da extrema-direita. A viragem e o cálculo foram certeiros, haja vista a vitória abrangente de políticos com esse verniz em diversos países, tanto na Europa quanto na América latina, sepultando, por conseguinte, a outrora política de centro-esquerda que era frondosa no início dos anos 2000.

            Quanto à forma de utilização das estratégias eleitorais é muito discutível, baseando-se, muito intensamente, nas mídias digitais em largas escalas, bem como nos famosos fake news: arma política de fundamental importância para esse tipo de linha política atual. Ou seja, passamos da antiga disputa política baseada no corpo a corpo, convencimento político, comício, boca de urna; transmutando, neste momento, para um processo eleitoral midiático em grande escala através do mundo virtual - fortemente abastecido por notícias escusas. Poderíamos enfatizar, portanto, que Bannon é um estrategista do primeiro time nesta arena, usando para o seu intento sites de notícias que visam amalgamar eleitores, aderentes e simpatizantes para sua seara.

            Destaca-se o papel impulsionador do site Breibart News, que fora dirigido por Bannon: mídia responsável por impulsionar notícias racistas, misóginas, xenófobas e que possui sérias acusações por pregar uma soberania branca de extrema-direita. Além de pregar segregacionismo, concomitantemente, o site é acusado por compartilhar e veicular notícias falsas dos políticos oponentes de esquerda - com certeza sendo o principal dínamo mobilizador das atuais campanhas políticas internacionais. A partir do sucesso das suas empreitadas políticas, consequentemente, passou a prestar suporte para a própria Casa Branca na gestão de Donald Trump, bem como a dar consultoria para outras campanhas políticas, inclusive dando aporte à campanha eleitoral brasileira de 2018 e apoiando Jair Bolsonaro.

            Contudo, mesmo com o sucesso aparente, fora pego pelo serviço de inteligência americano por fraude e desvios ilícitos de dinheiro. Em síntese, Bannon não foi preso pelas contravenções políticas empreendida nas redes virtuais, até porque esse universo é muito poroso - fato este que favorece uma série de ocultações e práticas escusas; porém, foi preso por roubo. Nesse caso, nas vésperas da campanha de reeleição de Trump, ficam duas questões: 1) o quanto este fato irá impactar na campanha de Trump? E, posteriormente, 2) poderá também impactar em outros políticos neopopulistas de extrema-direita? As respostas ainda não sabemos, mas temos a clareza que há algo realmente de podre no Reino do Marketing Político e felizmente está sendo extirpado.