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Práxis Política

O 11 de setembro latino-americano: o Golpe militar no Chile.

Análise Política

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Práxis PolítikaProf. Dr. César Alessandro Sagrillo Figueiredo convida os leitores para reflexões críticas dos temas do universo político. Além das questões pontuais emergidas do cotidiano, visamos instrumentalizar teoricamente as discussões, de modo a lastrear fundamentalmente a coluna a partir da ciência política. Dr. em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT

11/09/2020 00h05
Por: Cesar Figueiredo
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Nesse dia, há exatos 43 anos, ruía mais uma democracia na América Latina, pois nesta data o Chile quedava numa sanguinária ditadura militar. O golpe veio para findar com o projeto de esquerda sob a bandeira da Unidade Popular (UP), que tinha ganho as eleições em 1970 e dado vitória ao líder socialista Salvador Allende. O caso chileno torna-se o exemplo perfeito de um governo em disputa: 1) de um lado, a extrema direita golpista que tentava continuamente fragilizar a UP; e, 2) de outro lado, a esquerda que não conseguia adensar forças para se manter no poder.

            A eleições deram uma vitória extremamente apertada para UP, dividindo as urnas nos seguintes números: 1) Allende obteve a vitória com 36,2% dos votos, 2) contra 34.9% de Jorge Alessandri, o candidato da direita; e,  3) 27,8% do terceiro candidato, Radomiro Tomic, logo, distante de ter o apoio da maioria. Tal equação deficitária trouxe severos desgastes para o governo Allende, justamente pela dificuldade em ampliar o arco de coalizão e apoio – não conseguindo intento pelo alto grau conflitivo da oposição ao governo. Ou seja, podemos dizer que no Chile havia um modelo exemplar de luta de classes, em que desde o momento inicial do governo Allende, tanto a extrema direita quanto os militares, assim como as forças do imperialismo americano, conspiraram para derrubá-lo.

            A plataforma política da UP era muito ousada para a época, pois sendo um candidato oriundo do Partido Socialista, Allende vaticinava uma via chilena para se chegar ao socialismo: democraticamente através das urnas. A Unidade Popular era formada por grandes extratos do proletariado, formado por operários menos favorecidos, o proletariado agrícola, bem como a baixa classe média urbana. A fim de dar consecução nos seus objetivos, o governo tenta socializar a economia chilena, com base num projeto de reforma agrária e nacionalização das indústrias, igualmente, tenta nacionalizar as minas de cobre retirando-as das empresas multinacionais e de outros conglomerados oligárquicos.

            Esse cenário extremamente progressista, que visava dar um boom desenvolvimentista ao país através Estado, obviamente fora muito mal recebido no cenário internacional, principalmente pelos Estados Unidos.  As cartas, portanto, estavam marcadas para o futuro do Chile, haja vista que seus oponentes nunca aceitariam um país extremamente progressista e acenando para um futuro socialista. Convém realçar que estávamos no período da Guerra Fria, com a divisão do mundo em dois blocos: 1) socialistas, capitaneado pela União Soviética; e, 2) capitalista, liderado pelos Estado Unidos. Com o intuito de resolver esse impasse os Estados Unidos asfixiaram o Chile, através de um bloqueio econômico ininterrupto, findando somente quando as forças armadas conjugaram esforços para um golpe definitivo na democracia chilena.

            Destaca-se, ainda, que ocorreu uma grande sabotagem fomentada pelos patrões prejudicando o abastecimento à população, também, houve greve dos caminhoneiros financiados internacionalmente para paralisar o país. O final da Unidade Popular ocorreu com a invasão do Palácio de La Modena, sede do governo chileno, pelos militares. O saldo do golpe foi brutal: 1) 17 anos de ditadura militar; 2) assassinato de Salvador de Allende; 3) prisão generalizada de todos os participantes do governo da Unidade Popular; 4) tortura de opositores e outros traumas advindo da ruptura democrática; e, mais gravoso, 5) milhares de civis assassinados. Chile, 11 de setembro de 1973: para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!