Política POLÍTICA

CPI da Covid terá políticos experientes, ex-governadores e ex-ministro da Saúde

Senado instala comissão com 11 titulares e sete suplentes nesta terça; apoiadores do governo são minoria

27/04/2021 11h20
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Por: Hyana Reis Fonte: G1
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Com instalação prevista para esta terça-feira (27), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado tem, entre os 11 integrantes titulares, políticos experientes, ex-governadores, nomes fortes do Centrão e até um ex-ministro da Saúde.

A comissão tem o objetivo de investigar ações e omissões do governo federal na pandemia. A base aliada de Jair Bolsonaro terá minoria entre os titulares. Os 11 membros do colegiado podem ser divididos em:

  • dois oposicionistas declarados;
  • três independentes próximos à oposição;
  • dois nomes considerados independentes;
  • dois independentes próximos ao governo; e
  • dois governistas declarados.

Entre os ex-governadores está Omar Aziz (PSD-AM), que governou o Amazonas, de 2010 a 2014. Ele é o favorito para presidir a CPI, conforme acordo da maioria dos integrantes do colegiado.

Segundo o entendimento, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição, deve assumir a vice-presidência da comissão. Se confirmado presidente, Aziz deve indicar o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB-AL) como relator.

O Palácio do Planalto e seus aliados, no entanto, tentam impedir que Renan, visto como oposicionista, assuma a relatoria (leia mais abaixo sobre o perfil de Renan). Um juiz chegou a conceder liminar (decisão provisória) para barrar sua indicação.

Mesmo após a decisão, Aziz afirmou que, se for eleito presidente, manterá a indicação de Renan. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), diz que foi notificado da decisão judicial, mas afirmou que seria "antirregimental" da parte dele interferir no processo da CPI.

Confira, abaixo, os perfis dos 11 titulares da CPI da Covid:

Omar Aziz (PSD-AM)

Cotado para presidir a CPI da Covid, Omar Aziz foi eleito para o Senado em 2014. Antes disso, foi governador do Amazonas, deputado estadual e vice-prefeito de Manaus. Em 2019, teve familiares presos durante operação da Polícia Federal que apurava suposta prática de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa.

O parlamentar se declara independente em relação ao governo Jair Bolsonaro. Recentemente, teceu críticas à gestão da pandemia, especialmente no que toca ao Amazonas – estado que enfrentou um colapso na saúde pública.

Em entrevista à GloboNews, disse que o Brasil não adotou barreiras sanitárias para evitar a entrada e proliferação do vírus; e não estabeleceu um protocolo para combater a doença.

Eduardo Braga (MDB-AM)

Líder do maior partido do Senado, Eduardo Braga está no segundo mandato como senador. Foi governador de Amazonas e deputado estadual por duas vezes. No governo Dilma Rousseff, foi ministro de Minas e Energia.

Apesar de, em diversas votações, apoiar propostas do governo, Braga se declara independente. Desde a crise de saúde em Manaus, entretanto, o emedebista subiu o tom contra a gestão federal durante a pandemia.

Em uma audiência no Senado em fevereiro, acusou o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de mentir sobre o que levou à falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. E acrescentou que “não foi feito tudo o que poderia ser feito” para evitar o problema de desabastecimento do insumo.

Renan Calheiros (MDB-AL)

Se Omar Aziz for eleito presidente, conforme acordo firmado pela maioria dos integrantes da CPI, Renan Calheiros será escolhido o relator do colegiado. Um dos principais nomes do MDB, Calheiros está em seu quarto mandato como senador. Foi deputado federal constituinte e também deputado estadual por Alagoas. Na gestão Fernando Henrique Cardoso, foi ministro da Justiça.

É pai do atual governador alagoano, Renan Filho (MDB). Próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Renan se declara independente em relação ao governo Bolsonaro. Entretanto, diverge do presidente nas principais pautas defendidas por ele, e as critica. Foi quatro vezes presidente do Senado e alvo de vários inquéritos da Lava Jato, a maioria deles arquivados.

Há uma semana, o presidente Jair Bolsonaro telefonou para Renan Filho, sinalizando interesse em manter um diálogo com o pai dele como relator.

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Governador do Ceará por três vezes, Tasso Jereissati está no segundo mandato no Senado. Crítico do governo Jair Bolsonaro, Tasso é um dos principais quadros do PSDB, inclusive cotado para ser o nome tucano na eleição presidencial de 2022. Ele já presidiu o partido, que diz ser de oposição ao Palácio do Planalto.

O senador, contudo, prefere ser chamado de independente em relação ao governo. No começo do ano, em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, disse que os presidentes da Câmara e do Senado não poderiam ser “submissos” ao governo Bolsonaro e acrescentou que as instituições precisam “trincar os dentes”, ser “fortes”.

Ao “Globo”, criticou a distribuição de medicamentos sem eficácia comprovada pelo governo e defendeu responsabilização dos culpados pelo colapso em Manaus.

Otto Alencar (PSD-BA)

Próximo do ex-presidente Lula, o senador baiano costuma dizer que nunca conversou com o presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, Otto Alencar prefere ser chamado de independente no atual cenário político. Ele está no primeiro mandato como senador.

Antes disso, foi deputado estadual, vice-governador e chegou a governar a Bahia no ano de 2002. A despeito das críticas que faz à gestão Bolsonaro, o parlamentar, que é médico ortopedista, reconhece que o governo repassou grandes quantidades de recursos a estados e municípios no enfrentamento da pandemia.

Alencar lembra que, enquanto houve falta de insumos em alguns estados; outros não enfrentaram os mesmos problemas, o que indicaria falhas por parte de governadores e secretários de saúde.

Humberto Costa (PT-PE)

Médico de formação, Humberto Costa foi ministro da Saúde no primeiro mandato do ex-presidente Lula. No Senado, é um dos principais críticos da condução da pandemia pelo governo Jair Bolsonaro.

Para Humberto Costa, a CPI precisa investigar a recomendação, por parte do governo, de remédios ineficazes contra a Covid-19. Ele também classifica como “barbáries” atitudes tomadas por Bolsonaro desde o início da pandemia. O petista, que já foi deputado estadual e federal por Pernambuco, está no segundo mandato como senador.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Líder da Oposição no Senado, Randolfe Rodrigues é o autor do pedido de criação da CPI da Covid-19.

Adversário de Bolsonaro desde os temos em que era deputado federal pelo PSOL, Randolfe chegou a ser ofendido pelo presidente da República em gravação revelada por Jorge Kajuru (Podemos-GO). Nos áudios, Bolsonaro também ameaça agredir fisicamente o senador por Amapá.

Assim como Humberto Costa, Randolfe é uma das principais vozes contrárias ao governo no Congresso. O parlamentar da Rede, que está no segundo mandato no Senado, deve ser eleito o vice-presidente da CPI.

Eduardo Girão (Podemos-CE)

Em seu primeiro mandato como senador, Eduardo Girão tem acompanhado o governo na maioria das pautas defendidas por Jair Bolsonaro. Entre as exceções, estão as propostas de flexibilização das regras para posse e porte de armas.

O parlamentar é contrário aos decretos presidenciais sobre o tema. Por outro lado, Girão, assim como Bolsonaro, é defensor de medicamentos ineficazes contra o coronavírus. Ele também quer a investigação de governadores e prefeitos pela comissão, o que é vedado pelo regimento do Senado.

Para evitar que Omar Aziz e Renan Calheiros assumam as principais funções na CPI, o senador do Podemos lançou sua candidatura à presidência do colegiado. Antes de chegar ao Senado, foi presidente do time de futebol Fortaleza Esporte Clube.

Marcos Rogério (DEM-RO)

Está no primeiro mandato como senador. Antes disso, foi deputado federal pelo estado de Rondônia. Próximo ao presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar chegou a participar de viagens oficiais com o chefe do Executivo.

Marcos Rogério, que é líder do DEM no Senado, contudo, prefere ser identificado como independente. Assim como Girão, defende a investigação da conduta de governadores na CPI da Covid.

Ciro Nogueira (PP-PI)

Presidente do PP e um dos líderes do Centrão no Congresso, Ciro Nogueira se aproximou de Jair Bolsonaro nos últimos anos. Nas eleições de 2018, contudo, apoiou o petista Wellington Dias para o governo estadual.

Após se alinhar a Bolsonaro, rompeu com Dias e, agora, diz ser pré-candidato ao governo piauiense. Foi contrário à criação da CPI da Covid e sustenta que o colegiado poderá servir de palanque eleitoral para 2022.

Reconhece que houve erros na gestão da pandemia, mas é defensor das ações do presidente Jair Bolsonaro e quer a investigação dos repasses federais a governadores e prefeitos. Foi deputado federal por quatro mandatos e está no segundo como senador.

Jorginho Mello (PL-SC)

Vice-líder do governo no Congresso, Jorginho Mello foi deputado federal e está no primeiro mandato como senador. O senador por Santa Catarina é filiado ao PL, partido do Centrão, que integra a base do governo no Legislativo.

Acompanhou Jair Bolsonaro em visitas ao estado catarinense e é crítico de medidas restritivas como forma de enfrentamento à pandemia. Já defendeu o ineficaz tratamento precoce contra o coronavírus e a campanha de vacinação realizada pelo governo federal.