Política POLÍTICA

Bolsonaro recusou 11 vezes ofertas de vacinas; omissões serão apuradas na CPI da Covid

O objetivo da CPI é apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia

28/04/2021 11h39 Atualizada há 2 semanas
36
Por: Hyana Reis Fonte: Yahoo Notícias
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recusou 11 ofertas formais de fornecimento de vacinas contra a Covid-19 A omissão da gestão Bolsonaro já é de conhecimento dos senadores que vão compor Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, conhecida como CPI da Covid.

A CPI pode mostrar quantas vezes Bolsonaro disse não a única forma, até agora, de evitar o coronavírus O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recusou 11 ofertas formais de fornecimento de vacinas contra a Covid-19. Todas as propostas foram ignoradas pelo Ministério da Saúde. Segundo o G1, o número leva em conta apenas os episódios em que há comprovação documental.

Este número pode aumentar. Isso porque o objetivo da CPI é apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia. Ou seja, pode mostrar quantas vezes Bolsonaro disse não a única forma, até agora, de evitar o coronavírus.

CoronaVac, do Instituto Butantan

Das 11 recusas conhecidas, que podem ser provadas com documentos, seis são referentes à CoronaVac, desenolvida no Instituto Butantan. O imunizante, defendido pelo rival de Bolsonaro, o governador João Doria (PSDB-SP), deu início a chamada "guerra das vacinas", protagonizada pelos dois.

De acordo com o G1, há três ofícios assinados pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, oferecendo o imunizante. 

  • 1º ofício- O primeiro, datado de 30 de julho de 2020, ficou sem resposta.
  • 2º ofício- O segundo, de 18 de agosto de 2020, também ficou sem resposta por parte do governo federal.
  • 3º ofício- O terceiro documento foi entregue pessoalmente, em 7 de outubro de 2020, por Dimas Covas ao então ministro da saúde, o general Eduardo Pazuello.

Videoconferência

Mesmo assim, de acordo com o G1, não obtendo respostas, o Instituto Butantan realizou três videoconferências com integrantes do Ministério da Saúde para fazer a oferta, mas nada adianotu.

De acordo com o G1, os documentos com as provas da sabotagem do governo federal à CoronaVac já estão separados numa gaveta do Instituto Butantan, aguardando apenas um pedido formal da CPI para serem entregues.

Não à Pfizer

Há ainda mais três ofertas formais feitas pelo laboratório Pfizer. A primeira delas foi feita em agosto de 2020, quando a farmacêutica colocou à disposição do Brasil 70 milhões de doses para serem entregues em dezembro. 

As outras duas ofertas formais, feitas através de documentos, foram confirmadas pelo laboratório, de acordo com o G1.

Segundo o ex-secretário de comunicação, Fabio Wajngarten, como o Ministério ignorava as propostas, exatamente como fez com o Butantan, ele próprio abriu as portas do Palácio do Planalto para uma negociação formal com o presidente da República e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Também não andou.

Não à Covax Facility

Para o senador Randolfe Rodrigues, autor do requerimento da CPI, há pelo menos duas vezes que o governo Jair Bolsonaro se recusou a participar consórcio da Covax Facility. 

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, o Brasil só aderiu no terceiro convite para aquisição de 212 milhões de doses. 

O acordo era visto pelo Ministério das Relações Exteriores como uma atitude globalista, portanto nociva ao país. O número de doses foi reduzido a pedido do governo brasileiro.

CPI Covid no Senado

Começou às 10h desta terça-feira (27) a sessão no Senado Federal que irá oficializar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, também conhecida como CPI da Covid-19.

O requerimento de criação da comissão foi lido pelo presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no plenário no dia 13 de abril, após determinação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os nomes dos indicados para a comissão foram confirmados na sessão do dia 12. Confira quem são os 11 senadores titulares. O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).