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4 empresas estrangeiras que irão operar no Centro de Lançamento de Alcântara, no MA

Operacionalização do CLA é um desdobramento do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas assinado por Bolsonaro e Donald Trump

01/05/2021 08h23
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Por: Hyana Reis Fonte: G1 MA
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

 

O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira (29) quatro empresas estrangeiras que deverão realizar operações para lançamentos de foguetes a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC), as companhias foram selecionadas a partir de um edital de chamamento público lançado em maio de 2020 e que prevê o lançamento de veículos espaciais não militares orbitais e suborbitais no CLA, sem fins militares.

Cada empresa irá operar uma unidade do Centro de Lançamento. São elas:

  • Hyperion (EUA), que vai operar o sistema de plataforma VLS
  • A Orion Ast (EUA), que atuará no lançador suborbital
  • Virgin Orbit (EUA), que ficará responsável pelo aeroporto de Alcântara, que faz parte da base
  • C6 Launch (Canadá), que vai operar a Área do Perfilador, que também é um ponto de lançamento

De acordo com o governo, as quatro agora seguem para a fase de negociação contratual. Outro edital também deve selecionar empresas para atuar na Área 4 do Centro Espacial.

A operacionalização do Centro de Lançamento de Alcântara é um desdobramento do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre Brasil e Estados Unidos assinado por Jair Bolsonaro e Donald Trump, em 2019.

O texto permite o uso comercial da base de Alcântara. Em troca, o Brasil receberá recursos para investir no desenvolvimento e no aperfeiçoamento do Programa Espacial Brasileiro.

Em maio de 2020, o ministro Marcos Pontes, havia prometido o início de lançamentos de testes já em 2021. No entanto, segundo ele, a operação comercial só deve começar em 2022.

Conflito com quilombolas

Desde a sua construção, em 1989, o Centro de Lançamento de Alcântara é alvo de conflito com grupos de quilombolas, que perderam suas terras e foram remanejados, em detrimento do Programa Espacial Brasileiro.

Em abril de 2020, a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) chegou a enviou uma Nota Técnica (NT) ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) pedindo explicações sobre um possível remanejamento de 792 famílias que vivem nas proximidades do CLA, após a promulgação do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com os Estados Unidos.

De acordo com a Sedihpop, mais de 30 comunidades quilombolas tradicionais podem ser afetadas por conta das ações de remanejamento.