Política POLÍTICA

Anvisa confirma que Bolsonaro tentou alterar bula da cloroquina

Durante depoimento na CPI da Covid, o diretor da agência confirmou reunião na qual foi cogitada a possibilidade de mudar a bula para que o medicamento fosse indicado no tratamento da Covid

12/05/2021 15h18 Atualizada há 1 mês
109
Por: Hyana Reis Fonte: Extra
Foto: Pablo Jacob
Foto: Pablo Jacob

Questionado pelo senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre a proxalutamida, um remédio em que houve pesquisa sobre seu uso para tratar Covid-19, Barra Torres disse que a Anvisa recebeu um grupo que estava estudando o produto. A agência informou que seria preciso primeiramente fazer um contato com a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Depois disso, o grupo não retornou mais.

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), elogiou o depoimento de Barra Torres e disse que ficou evidenciado que a Anvisa é "uma agência de Estado, que não sofre pressões indevidas de quem quer que seja". Bezerra cumprimentou Barra Torres e todo o corpo técnico da Anvisa pelo trabalho.

— Esperamos que a gente possa acelerar, sim, as análises dos novos pedidos de registro de vacina para que a gente possa ampliar a velocidade do programa de imunização brasileiro —afirmou Bezerra.

Pedido para reconvocação de Queiroga

No início da sessão, o senador Humberto Costa (PT-PE) defendeu nova convocação do ministro da Saúde Marcelo Queiroga. Ele citou reportagem do GLOBO mostrando que a atual gestão seguiu distribuindo para a rede pública hidroxicloroquina como política de combate ao coronavírus, embora o remédio seja ineficaz para tratar a Covid-19. Entre o fim de março e abril, após a posse do ministro, foram entregues 127,5 mil comprimidos a dois municípios do interior de São Paulo. No depoimento dado na semana passada, ao ser questionado por senadores, o Queiroga disse que não havia autorizado e que desconhecia remessas recentes dos medicamento.

O senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) criticou a tentativa de convocar novamente Queiroga. Segundo ele, estão tentando tirá-lo de seu trabalho para colocá-lo de "castigo" na CPI.

— Ficam falando aqui o tempo todo: cloroquina, cloroquina, cloroquina. E corrupção? E roubalheira? E desvio de dinheiro? Isso nos interessa também — disse Rogério.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) reclamou das manifestações feitas pelos colegas que atrasam a tomada dos depoimentos. Depois e 45 minutos do horário previsto, o presidente da Anvisa ainda não tinha começado a falar. Assim, Vieira sugeriu que as sessões comecem às 9h, e não mais às 10h. Ficou então acertado que elas serão antecipadas em uma hora, com exceção dos próximos depoimentos, em que já foi fixado um horário com os depoentes.