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Governo não aceitou 1,5 milhão de doses ainda em 2020, diz Pfizer

O gerente-geral da afirmou nesta quinta-feira (13) à CPI da Covid que o governo brasileiro não respondeu ofertas de contratos

13/05/2021 12h28
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Por: Hyana Reis Fonte: G1

O gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, afirmou nesta quinta-feira (13) à CPI da Covid que o governo brasileiro não respondeu, entre agosto e setembro do ano passado, ofertas de contratos apresentados pela empresa que previam 1,5 milhão de doses da vacina ainda em 2020.

"Nossa oferta de 26 de agosto, como era vinculante, e como estávamos nesse processo com todos os governos [de outros países] tinha validade de 15 dias. Passados esses 15 dias, o governo do Brasil não rejeitou, mas tampouco aceitou", afirmou Murillo.

De acordo como executivo da Pfizer, a empresa apresentou, em agosto, três propostas para o governo, que ficaram sem resposta. As três previam um contrato de 30 milhões de doses ou de 70 milhões de doses. Os termos das propostas para 70 milhões de doses, segundo Murillo, foram:

1ª proposta, feita em 14 de agosto de 2020

  • 500 mil doses ainda em 2020
  • 1,5 milhão de doses no 1º trimestre de 2021
  • 5 milhões de doses no 2º trimestre de 2021
  • 33 milhões de doses no 3º trimestre de 2021
  • 30 milhões de doses no 4º trimestre de 2021

2ª proposta, feita em 18 de agosto de 2020

  • 1,5 milhão de doses ainda em 2020.
  • 1,5 milhão de doses no 1º trimestre de 2021
  • 5 milhões de doses no 2º trimestre de 2021
  • 33 milhões de doses no 3º trimestre de 2021.
  • 29 milhões de doses no 4º trimestre de 2021

3ª proposta, feita em 26 de agosto de 2020

  • 1,5 milhão de doses para 2020
  • 3 milhões de doses para o 1º trimestre de 2021
  • 14 milhões de doses para o 2º trimestre de 2021
  • 26,5 milhões de doses para o 3º trimestre de 2021
  • 25 milhões de doses para o 4º trimestre de 2021

Em todas as ofertas, o preço foi de US$ 10 por dose. O Brasil acabou fechando contrato com a Pfizer só no dia 19 de março, quando a pandemia estava no auge, o sistema de saúde nos estados estava em colapso e a vacinação no país mantinha-se em ritmo lento. As primeiras doses da Pfizer começaram a chegar nos últimos dias de abril.

Demora na compra da vacina

Este é o sexto dia de depoimentos da comissão parlamentar de inquérito do Senado que apura ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia de Covid e eventual desvio de verbas federais enviadas a estados e municípios.

A Pfizer, ao lado da BioNTech, foi uma das primeiras empresas a apresentar vacinas contra o novo coronavírus ao mundo. A vacina do laboratório é a única com registro definitivo aprovado pela Anvisa.

Para parte dos integrantes da CPI, o governo Jair Bolsonaro foi "incompetente" e "pouco se empenhou" para comprar doses do imunizante desenvolvido pelo laboratório.

Nesta quinta-feira (12), em depoimento à CPI, Wajngarten contou que a Pfizer encaminhou ao governo brasileiro, em setembro de 2020, uma carta em que dizia estar disposta a "fazer todos os esforços" para garantir reserva de doses à população brasileira. Wajngarten disponibilizou o documento à CPI.

Na carta, a empresa também:

  • afirma que a equipe da empresa no Brasil se reuniu com integrantes dos ministérios da Economia e da Saúde e com a embaixada brasileira nos Estados Unidos;
  • diz que apresentou uma proposta para fornecer "potencial vacina" que poderia proteger "milhões de brasileiros";
  • afirma que até aquela data não havia obtido respostas do governo brasileiro.