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Política POLÍTICA

CPI da Covid: Quem é Mayra e por que ela é investigada pela crise do oxigênio

Conhecida nas redes sociais como "capitã cloroquina", Mayra Pinheiro, é secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde

25/05/2021 11h52
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Por: Hyana Reis Fonte: G1
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Conhecida nas redes sociais como "capitã cloroquina", Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, presta depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (25). Entre os assuntos sobre os quais ela deverá ser questionada está sua atuação durante a crise do oxigênio no Amazonas.

Médica pediatra, Mayra Pinheiro chegou a pedir para ficar em silêncio na CPI para não se autoincriminar, mas o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido. A defesa dela voltou a acionar o STF, alegando que a secretária é alvo de uma ação por improbidade administrativa na Justiça Federal do Amazonas. Lewandowski, então, autorizou que ela não respondesse apenas perguntas sobre fatos ocorridos entre dezembro e janeiro.

A secretária chegou a Manaus no início de janeiro, pouco antes de o sistema de Saúde entrar em colapso, como representante do Mistério da Saúde. Ela estava no Amazonas e presenciou o aumento expressivo do número de casos da doença, hospitais lotados, as mortes por falta de oxigênio e o envio de pacientes a outros estados.

Tratamento precoce

4 de janeiro - Prefeito David Almeida (esq.), Mayra Pinheiro (centro) e governador Wilson Lima durante visita a unidades de saúde em Manaus — Foto: Secom

No dia 4 de janeiro, em uma comitiva integrada pelo governador Wilson Lima e pelo prefeito David Almeida, Mayra Pinheiro visitou unidades de Saúde de Manaus e conversou com profissionais da área. O objetivo da visita era definir ações de combate à pandemia de coronavírus no estado, que voltava a apresentar alta no número de casos.

Segundo a secretária, uma das estratégias era adotar com os médicos da atenção primária o chamado "protocolo clínico rápido" para diagnóstico de Covid. O intuito, segundo ela, era que fossem tomadas medidas para evitar novos internamentos e, consequentemente, o colapso do sistema.

Em coletiva de imprensa, ela chegou a fazer um "apelo" a médicos para que usassem nos pacientes o chamado tratamento precoce, composto por medicamentos sem eficácia contra a Covid. E afirmou ainda que bastava fazer o diagnóstico clínico para Covid, sem a necessidade de teste para comprovar a doença.

"Peço de novo a todos os profissionais que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), aos médicos das unidades de pronto-atendimento, que prescrevam, após diagnosticarem clinicamente, o tratamento precoce. Ele pode salvar vidas."

Durante a entrevista, a representante do Ministério da Saúde defendeu o uso de remédio contra a malária para o tratamento precoce de casos de Covid-19. Mayra Pinheiro refere-se à cloroquina, que é utilizada no tratamento da malária, apesar de nessa ocasião não nomear o medicamento. Além da malária, a cloroquina é usada no tratamento de artrite reumatoide e lúpus.

Desde outubro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já afirmava que o remédio sugerido não tem eficácia comprovada cientificamente contra a Covid.

Ainda sobre os medicamentos, o governador do Amazonas, Wilson Lima, afirma que presença de Mayra Pinheiro no estado era a ponte para conseguir medicamentos do tratamento precoce contra a Covid.

Em resposta ao governador, Mayra Pinheiro disse que criava no estado uma sucursal do Ministério da Saúde no Amazonas.

Mayra Pinheiro e outras seis pessoas, incluindo o ex-ministro Eduardo Pazuello, são investigadas pelo Ministério Público Federal em um inquérito que apura a crise na saúde durante a segunda onda da Covid.

Durante depoimento ao MPF, dado em 12 de março, ela lembrou a orientação do Ministério da Saúde de dar autonomia aos médicos para prescrever medicamentos e afirmou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) iria liberar oficialmente o uso da ivermectina (vermífugo) como tratamento contra a doença. Ao contrário do que disse Mayra Pinheiro, a OMS nunca recomendou o uso de ivermectina para tratar a Covid-19.

O G1 teve acesso ao depoimento de Mayra Pinheiro ao MPF. Entre as recomendações que teria feito aos médicos no Amazonas, ela admite que estava o uso de cloroquina e hidroxicloroquina em "doses seguras".

“A função das visitas era conversar com os colegas médicos, todos esses profissionais eram médicos, tentar orientá-los sobre o atendimento precoce na unidade, sobre todos os recursos que eles poderiam fazer para que a gente pudesse salvar mais vidas”.

Durante o depoimento, Mayra defende que os medicamentos ficaram rotulados por conta de questões políticas:

“Essas medicações, e não só mais a cloroquina, hidroxicloroquina, essas duas ficaram muito estigmatizadas por conta de uma politização da pandemia, que é ruim para o debate científico, mas hoje a gente já tem dentro do leque de antivirais mais de dez medicamentos que têm evidências científicas, como a ivermectina, bromexina, colchicina”, afirmou.

Críticas ao programa Mais Médicos

Em 2013, a médica foi uma das ferrenhas críticas ao programa Mais Médicos, que trouxe profissionais cubanos para atuarem no país. Na capital cearense, esses profissionais foram recebidos com vaias e enfrentaram protestos organizados por médicos locais.

Nascida em Fortaleza, Mayra Pinheiro concluiu o curso de medicina em 1991 na Universidade Federal do Ceará.

Foi presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará entre 2015 e 2018, ano em que se candidatou para uma vaga ao Senado, mas não se elegeu. Antes, em 2014, ela havia disputado eleição para o cargo de deputada federal pelo PSDB, mas também não conseguiu se eleger.

Desde o início da pandemia, a secretária foi ativa em defender o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid-19.