Saúde SAÚDE

Confira: qual máscara é mais eficiente e qual evitar

Para especialistas, uso é importante mesmo para quem está vacinado, que não está livre dos riscos de infecção, ou quem já pegou Covid, que pode se reinfectar

11/06/2021 16h58
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Por: Hyana Reis Fonte: G1
Foto: Reprodução
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Máscaras protegem quem usa e a comunidade ao redor, conforme estudos e alertas unânimes dos cientistas. As orientações vão na contramão da proposta do presidente Jair Bolsonaro de tornar não obrigatório o uso de máscaras por pessoas vacinadas ou que já tiveram a Covid-19. Nesta reportagem, especialistas analisam as melhores opções de máscaras disponíveis.

Máscaras PFF2 (ou N95)

Enfermeira usa máscara do tipo PFF2 e outros equipamentos de proteção individual (EPIs) em Madri, na Espanha, no dia 3 de fevereiro. — Foto: Juan Medina/Reuters

A PFF2 é uma máscara descartável, mas que na pandemia tem sido reutilizada em ambientes não hospitalares. Elas são capazes de filtrar partículas muito pequenas contendo o coronavírus. A sigla PFF significa "peça facial filtrante". Veja mais detalhes sobre as PFF2.

Em termos de proteção, a PFF2 é, para a população em geral, a melhor opção para evitar o contágio pelo coronavírus. Isso porque ela alia os fatores filtragem + vedação da forma mais eficiente: tem alta capacidade de filtragem e, se ajustada corretamente, não deixa folgas no rosto pelas quais o vírus pode entrar.

As PFF2 requerem relativamente poucos cuidados de uso – é preciso checar se o ajuste está correto, deixar a máscara "descansando" por alguns dias antes de reutilizar e, na hora de usar de novo, verificar se está em boas condições – sem rasgos ou com os elásticos frouxos, por exemplo.

Se você não se adaptar aos elásticos na cabeça, também há opções de PFF2 certificadas com elásticos nas orelhas. Em termos de preço, as PFF2 também são vantajosas: elas custam, em média, de R$ 2 a R$ 10 a unidade. Uma busca online, em lojas de equipamentos de proteção individual (EPIs) ou de materiais de construção pode ajudar a achar ofertas.

Máscaras elastoméricas

Profissional de saúde usa máscara elastomérica para cuidar de paciente com Covid-19 no Hospital Royal Papworth, em Cambridge, na Inglaterra, em maio de 2020. — Foto: Neil Hall/Pool via Reuters

A máscara elastomérica é o modelo que a profissional de saúde está usando na foto acima. Ela pode ser semifacial (quando cobre o nariz e a boca) ou inteira (cobre também os olhos). Normalmente é feita de materiais como silicone e/ou borracha. No Brasil, esse tipo de máscara costuma ter uma válvula de exalação (veja detalhes sobre as válvulas no tópico 3).

Entre as principais vantagens da elastomérica em relação a outros tipos de máscara – inclusive as PFF2 – estão a melhor vedação, a possibilidade de reutilização por mais tempo e o potencial de filtragem maior. A médio e longo prazo, elas também saem mais baratas.

O professor de computação Pedro Fernandes, que mantém uma página na internet sobre máscaras, destaca que as elastoméricas são leves. Além disso, na avaliação dele, elas se ajustam melhor ao rosto, são mais confortáveis e fáceis de respirar do que as PFF2.

"Os elásticos [das elastoméricas] são mais fortes, o silicone se amolda ao rosto, enquanto que, na PFF2, você tem que ficar testando qual modelo fica bem em você", compara Fernandes.

Com a pandemia, alguns especialistas e órgãos internacionais têm recomendado as elastoméricas também para profissionais de saúde – principalmente em contextos em que há falta de máscaras do tipo PFF2/N95, como nos Estados Unidos e no Canadá.

Mas, nesses países, já existem elastoméricas disponíveis sem válvulas de exalação; modelos desse tipo ainda não estão regulamentados no Brasil.

Justamente por terem a válvula de expiração, elas não são recomendadas para uso em serviços de saúde, nem de forma geral, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):

"As máscaras com válvula de expiração não são indicadas para uso na assistência à saúde durante a pandemia e nem para controle de fonte (incluindo na comunidade), pois ela permite a saída do ar expirado pelo seu usuário que, caso esteja infectado, poderá contaminar outras pessoas próximas e o ambiente", disse a agência em resposta ao G1 sobre o uso de máscaras com válvula.

Originalmente, a intenção era que as elastoméricas fossem usadas em ambientes industriais ou de minas. Nesses lugares, é importante proteger quem usa das substâncias que estão no ambiente, mas a proteção de outras pessoas do ar expirado pelo usuário da máscara não é necessária.

Além da questão da válvula, a elastomérica também requer alguns cuidados de higienização adicionais – que as PFF2 não têm – e a troca do cartucho de filtragem periodicamente.

Outro ponto é que elas são grandes e cortam o campo de visão de quem está usando, avalia Raquel Wahl, psicóloga clínica de Campo Grande (MS) que começou a vender PFF2 durante a pandemia.

"E o óculos não encaixa direito. Então eu acabo usando para coisas muito específicas, quando me sinto um pouco mais exposta. Mas, para outras situações, eu uso PFF bem vedada, que dá na mesma", diz Wahl.

Máscaras com válvula

Enfermeira usa máscara com válvula em UTI de pacientes com Covid-19 em Atenas, na Grécia, no dia 29 de abril. — Foto: Giorgos Moutafis/Reuters

Nas PFF2 valvuladas, a pessoa que usa está protegida de forma similar à que estaria se usasse uma PFF2 sem válvula (o ar não entra pela válvula). Se ajustada corretamente – assim como as PFF2 sem válvula – a valvulada fornece boa proteção, porque tem os mesmos índices de filtragem das não valvuladas.

O problema é que, como a válvula é de exalação, ela serve para facilitar a saída de ar. Nessa saída, se a pessoa que está usando a máscara estiver com o coronavírus, ela pode expelir partículas virais, ainda que em pequena quantidade, e infectar outras.

Conforme visto na pergunta 2, a Anvisa NÃO recomenda o uso de máscaras com válvula nem por profissionais de saúde, nem de forma geral. O uso de máscaras com válvula na pandemia só é permitido por profissionais de saúde de forma excepcional, quando houver escassez das máscaras não valvuladas. Mesmo assim, a exceção não se aplica a centros cirúrgicos, conforme uma nota técnica de fevereiro de 2020 da agência:

“No cenário atual da pandemia e em situações de escassez, em que só tenha disponível este modelo de máscara com válvula expiratória no serviço de saúde, recomenda-se o uso concomitante de um protetor facial, como forma de mitigação para o controle de fonte. Porém, a exceção a esta medida de mitigação é o Centro Cirúrgico, onde estas máscaras NÃO devem ser utilizadas, por aumentar o risco de exposição da ferida cirúrgica às gotículas expelidas pelos profissionais e assim podem aumentar o risco de infecção de sítio cirúrgico.”

Na avaliação da cientista Melissa Markoski professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), as máscaras valvuladas devem ser, no geral, evitadas.

Uma possível exceção é durante atividade física feita distante de outras pessoas. Isso porque a válvula da máscara facilita a expiração do ar – torna mais fácil respirar durante esforço físico intenso. "Se a pessoa tem uma máscara valvulada e vai correr, em um ambiente em que não vai entrar em contato com outras pessoas, aí, tudo bem, porque está facilitando a sua exalação de ar", explica. "Longe de outras pessoas, [em que] que não corre risco de contaminar".

A cientista Beatriz Klimeck, doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), faz ponderação semelhante.

"Se você está procurando uma máscara melhor e falando para as pessoas que a solução da pandemia envolve uma máscara melhor, eu não entendo que uma máscara valvulada resolve esse problema", pontua Klimeck, uma das responsáveis pela página "Qual Máscara?" na rede social Twitter.

Um estudo de simulação feito pelo NIOSH, nos Estados Unidos, com 13 modelos de máscaras valvuladas (N95 ou N99), apontou que, mesmo que deixassem passar mais da metade das partículas emitidas pelo usuário simulado (até 55%), as N95 ou N99 com válvula ainda conseguiam conter as partículas melhor, de forma geral, do que as máscaras cirúrgicas, de procedimentos ou de pano, que não tinham certificação.

No Brasil, as máscaras com válvula estão proibidas pela Anvisa em aviões e aeroportos desde 26 de março.

Máscaras cirúrgicas ou de procedimentos

Médico de emergência em Madri, na Espanha, coloca máscara contra o coronavírus no dia 2 de março. — Foto: Juan Medina/Reuters

Depois das PFF2 – com ou sem válvulas – as máscaras cirúrgicas e/ou de procedimentos são as mais eficientes na filtragem de partículas. Isso porque elas são feitas de tecido não tecido (TNT) – que podem ser de vários tipos e ter várias camadas.

Em um estudo, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) viram que, depois das PFF2 – que tiveram 98% de eficiência de filtragem de partículas –, as máscaras cirúrgicas e de procedimentos tiveram eficiência de 87% a 91% na filtragem, conforme a quantidade de camadas. Quanto maior a quantidade de camadas, maior foi a eficiência.

Embora tenham a seu favor a eficiência de filtragem, o problema das máscaras cirúrgicas e de procedimentos costuma ser a vedação – elas acabam deixando folgas no rosto. Para mitigar o problema da vedação dessas máscaras, existem algumas opções:

  • escolher máscaras que têm um clipe nasal – pedaço de arame ou plástico que ajuda a ajustar a máscara ao nariz e evitar folgas;
  • combiná-las com máscaras de pano (veja pergunta abaixo);
  • dar um nó nos elásticos da máscara, para ajustá-la mais rente ao rosto (mas preste atenção, pois isso pode acabar criando, também, uma folga):
  • ajustá-las ao rosto com uma "cinta de máscara".

Máscaras de pano

Autoridades de saúde passam a recomendar máscara de pano - Notícias - R7 Saúde

O estudo da USP que testou a eficiência de filtragem das PFF2 e das cirúrgicas também constatou que as máscaras de pano, de forma geral, tinham baixíssima eficiência de filtragem:

Algodão: as máscaras de algodão tiveram, no geral, 40% de eficiência de filtragem – o que significa que 60% das partículas conseguiam passar pela máscara. Algumas máscaras testadas filtravam apenas 20% das partículas; outras alcançavam 60%. Essa diferença ocorreu por causa de diferenças na grossura, malha e outras propriedades do tecido.

Um detalhe é que, no caso das máscaras de algodão, adicionar uma segunda camada ajudou a aumentar a eficiência de filtragem, mas uma terceira camada não mudou significativamente essa eficiência.

Espuma de poliuretano laminado: tiveram, no geral, 25% de eficiência de filtragem (75% das partículas passavam pela máscara).

Mistura de 70% poliéster e 30% resina: no geral, tiveram apenas 12% de eficiência de filtragem (88% das partículas passavam pela máscara).

Além disso, os pesquisadores da USP também pontuaram a necessidade de um clipe nasal na máscara, independentemente do material. Isso porque o clipe ajuda a aumentar a vedação; sem ele, a pessoa acaba respirando o ar não filtrado pelas folgas entre o nariz e o rosto.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que as máscaras tenham, no mínimo, 70% de eficiência de filtragem.

Os outros materiais que não alcançaram esse percentual mínimo nos testes da USP foram o papelão, com 69%, e a microfibra, com 51%.

Outros materiais, como o neoprene e misturas de tecidos, tiveram alta eficiência (78% e 83%, respectivamente), mas, em compensação, acabavam dificultando a respiração.

No início de fevereiro, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) anunciou que usar duas máscaras – uma de procedimentos médicos e uma de pano por cima– poderia bloquear até 96% das partículas que carregavam o coronavírus se ambas as pessoas em uma situação usassem essa combinação.

No caso de apenas uma delas usar as duas máscaras, a pessoa que está usando tem a exposição reduzida em 83%. Ou seja: uma forma de aumentar a baixa proteção 

Máscaras KN95

Exemplo de KN95 certificada com elásticos nas orelhas. — Foto: Arquivo pessoal/Raquel Wahl

Em tese, as KN95 são o equivalente chinês das PFF2 brasileiras e das N95 dos EUA. Existe ao menos uma marca que, de fato, tem uma KN95 certificada no Brasil (veja nas fotos abaixo).

O G1 consultou o CA 44.582 no "consultaca" e a certificação estava válida, com vencimento em 2 de setembro de 2025, até a última atualização desta reportagem. É possível buscar máscaras para compras online também pelo número do CA. O problema, entretanto, é que muitas KN95 são falsificadas, importadas sem certificação ou não são testadas.

Em maio de 2020, a Anvisa listou 51 marcas de máscaras do tipo KN95, importadas da China, que não conseguiram comprovar uma eficiência de filtragem mínima. 

Máscaras a evitar

Que tenham material como tricô, crochê, poliuretano, poliéster, microfibra, papelão e similares. Esses materiais deixam buracos por onde o vírus pode entrar ou não têm capacidade de filtragem suficiente (veja pergunta 5). Verifique a composição do material da máscara antes de comprar.

  • De vinil, transparentes ou do tipo M85;
  • Que não bloqueiem a luz (significa que tem buracos por onde o vírus pode entrar);
  • Que deixem folgas no rosto;
  • Que não cubram de forma adequada o nariz e a boca (por serem pequenas ou curtas demais);
  • Que tenham apenas uma camada (seja de tecido ou de procedimentos/cirúrgica);
  • Polainas de pescoço