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Argentina derrota o Brasil no Maracanã e é campeã da Copa América

Gol de Di Maria derrubou o jejum de 28 anos sem título e impediu o bicampeonato da seleção brasileira no torneio marcado pela covid-19 com final desorganizada

11/07/2021 11h53
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Por: Hyana Reis Fonte: El Pais
AMANDA PEROBELLI / REUTERS
AMANDA PEROBELLI / REUTERS

 

A primeira final entre Brasil e Argentina disputada no Maracanã terminou com vitória argentina. Di Maria, com um lindo toque de cobertura, marcou o único gol da vitória por 1 a 0 que destronou a seleção brasileira em seu palco mais simbólico, acabou com o jejum de 28 anos sem títulos e garantiu a taça da Copa América 2021 neste sábado, 10 de julho. Com a presença de mais de 5.000 torcedores no Maracanã, a final também ficou marcada pela desorganização fora de campo, onde torcedores dos dois países se aglomeraram em frente aos portões para conseguir os ingressos e acessar as arquibancadas do estádio. Em campo, um jogo duro, cheio de divididas, cartões amarelos e reclamações, que terminou com muita festa albiceleste e uma exibição de gala do meia De Paul, autor do lançamento para o gol decisivo da partida.

Sem desfalques por covid-19, Tite não contou apenas com o atacante Gabriel Jesus, suspenso por cartão vermelho. Everton Cebolinha foi escolhido para o seu lugar. Assim, o Brasil entrou em campo com Ederson; Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Renan Lodi; Casemiro, Fred e Lucas Paquetá; Cebolinha, Richarlison e Neymar. A Argentina respondeu escalando os titulares Emiliano Martínez; Montiel, Romero, Otamendi e Acuña; Paredes, Lo Celso, De Paul e Di María; Messi e Lautaro Martínez.

A primeira final entre Brasil e Argentina disputada no Maracanã terminou com vitória argentina. Di Maria, com um lindo toque de cobertura, marcou o único gol da vitória por 1 a 0 que destronou a seleção brasileira em seu palco mais simbólico, acabou com o jejum de 28 anos sem títulos e garantiu a taça da Copa América 2021 neste sábado, 10 de julho. Com a presença de mais de 5.000 torcedores no Maracanã, a final também ficou marcada pela desorganização fora de campo, onde torcedores dos dois países se aglomeraram em frente aos portões para conseguir os ingressos e acessar as arquibancadas do estádio. Em campo, um jogo duro, cheio de divididas, cartões amarelos e reclamações, que terminou com muita festa albiceleste e uma exibição de gala do meia De Paul, autor do lançamento para o gol decisivo da partida.

Sem desfalques por covid-19, Tite não contou apenas com o atacante Gabriel Jesus, suspenso por cartão vermelho. Everton Cebolinha foi escolhido para o seu lugar. Assim, o Brasil entrou em campo com Ederson; Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Renan Lodi; Casemiro, Fred e Lucas Paquetá; Cebolinha, Richarlison e Neymar. A Argentina respondeu escalando os titulares Emiliano Martínez; Montiel, Romero, Otamendi e Acuña; Paredes, Lo Celso, De Paul e Di María; Messi e Lautaro Martínez.

Do ponto de vista histórico, é a primeira vez que Messi ergue uma taça pela seleção principal argentina, acabando com 28 anos de jejum do país no futebol. Um título ainda mais simbólico por ser o primeiro torneio disputado pelos hermanos após a morte de Diego Maradona, que foi homenageado pelos atletas após o apito final. Do lado brasileiro, é só a segunda vez que a seleção sai derrotada de um jogo oficial no Maracanã, tendo a primeira sido o Maracanazo da Copa de 1950, quando perdeu para o Uruguai. É também a segunda derrota de Tite no comando da equipe da CBF —a única, até então, tinha sido a partida para a Bélgica na Copa do Mundo de 2018.

Numa Copa América marcada por surtos de covid-19, Argentina e Brasil estiveram entre as poucas seleções que não registraram casos positivos do vírus em suas delegações. Nas contas do Ministério da Saúde, até este domingo foram 168 infectados relacionados ao torneio, sendo 37 jogadores ou membros de comissão técnica, 5 funcionários da Conmebol e 126 terceirizados. A pasta ainda especifica que 22 casos positivos tiveram o vírus sequenciado, e todos pertenciam à variante de Manaus. Quando a Copa América foi confirmada para o Brasil, nos primeiros dias de junho, o país tinha pouco mais de 460.000 mortos pela doença. Agora, pouco mais de um mês depois, já são mais de 530.000 óbitos pelo novo coronavírus.

Apesar dos números apontarem a gravidade, a seleção brasileira pouco se manifestou a respeito da pandemia durante o torneio. Os jogadores publicaram uma carta antes do seu início na qual criticavam a Conmebol, mas sem especificar os motivos. Depois, o lateral Danilo reforçou que os jogadores “não eram insensíveis” em entrevista coletiva após lembrar de um amigo morto pela covid-19; Everton Ribeiro pediu mais vacinas no dia em que o país chegou a 500.000 mortos; Richarlison arrecadou dinheiro para doar a projetos científicos da USP voltados para a pandemia através do leilão de uma chuteira usada em jogo; e Tite, na entrevista coletiva antes da final, fez um apelo: “Vacinem-se, por favor”. Neymar, o jogador mais popular da seleção, usou as redes sociais apenas para reclamar do gramado do estádio Nilton Santos, onde o Brasil jogou quatro vezes, e para criticar brasileiros que torceram para a Argentina na final. “Vão pro c...”, escreveu o camisa 10, exigindo patriotismo da torcida. A reclamação despertou polêmica nas redes sociais e críticas contundentes do ex-jogador e comentarista Walter Casagrande. “Mais de 500.000 mortos no país pela covid-19, Governo negacionista que não comprou a vacina quando deveria, escândalo da rachadinha (...) Nada disso deixa o ‘patriota’ Neymar bravo. Mas, se falarem que vão torcer contra a seleção porque o Messi é o maior ídolo da garotada brasileira, isso irrita muito”, disse Casão ao vivo, que ainda chamou o atacante de “súdito de Jair Bolsonaro” e “antipático”.

Os protocolos sanitários defendidos pela Conmebol e pelo Governo brasileiro, que não permitiram a entrada de público durante todo o torneio, foram atualizados para a final. A entidade permitiu a entrada de mais de 5.000 torcedores nas arquibancadas, sendo 2.200 brasileiros, 2.200 argentinos e outros convidados, desde que apresentassem um teste PCR negativo para o coronavírus. Poucas horas antes do início da partida, a Conmebol divulgou em suas redes que estava detectando “testes adulterados” utilizados pelos torcedores. Na entrada do estádio, a organização permitiu aglomerações de torcedores e ambulantes, muitos sem máscaras, em longas filas que tinham como destino o mesmo portão, onde eram retiradas os ingressos. A liberação da entrada ainda causou mais confusão, com empurrões e torcedores forçando passagem.

Ainda que promovendo multidões não recomendadas na pandemia, a presença de um público empolgado pela final trouxe um ambiente de ânimo, camisas das seleções e cantos de torcida nos entornos do Maracanã, algo que ainda não tinha acontecido na desacreditada Copa América. O mesmo se refletiu na televisão e na internet. Em São Paulo, a principal praça televisiva do país, o SBT liderou a audiência com certa folga sobre a novela Império reprisada pela Globo. Durante o primeiro tempo, o Ibope estava em 21 a 18,4 para a emissora de Silvio Santos. E, nos trending topics do Twitter, nove dos dez assuntos mais comentados pelos brasileiros tinham relação com a Copa América no intervalo da final.

Apesar do auge da repercussão positiva de uma Copa América contestada do ponto de vista sanitário e utilizada politicamente como cortina de fumaça, o presidente Jair Bolsonaro não apareceu no Maracanã para a final. Bolsonaro esteve em uma manifestação com apoiadores no Rio Grande do Sul durante o domingo e sequer tuítou durante a final. Gianni Infantino, presidente da FIFA e Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, estavam na cerimônia de premiação que terminou com Messi levantando a taça.